Seja bem-vindo
Pedra Bela,03/02/2026

  • A +
  • A -

Monica Vernechi

2026: O Ano em que a Política Internacional Repensa a Ordem Global

By David Henry
2026: O Ano em que a Política Internacional Repensa a Ordem Global

Por nossa equipe de análises políticas internacionais

Monica Vernechi

Jornalísta


A cena geopolítica de 2026 está marcada por rupturas inéditas, tensões crescentes e sinais de uma nova configuração das relações entre grandes potências e atores regionais. Mais do que nunca, decisões tomadas nas capitais do mundo reverberam em eleições, economias e segurança global.

A ofensiva dos Estados Unidos na Venezuela: um precedente perigoso?

No começo de janeiro de 2026, uma ação militar dos Estados Unidos culminou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro um episódio que dividiu aliados internacionais e reacendeu debates sobre soberania e intervencionismo. A justificativa oficial de Washington foi a necessidade de combater narcotráfico e autoritarismo, mas críticos veem a manobra como um precedente perigoso na política externa americana. Países como França e membros do Conselho de Segurança da ONU condenaram a operação, alegando violação do direito internacional.

Essa intervenção não é apenas uma questão diplomática: ela acende a preocupação de que grandes potências estejam dispostas a redefinir fronteiras e governos sob pretextos estratégicos, sob risco de desestabilizar ainda mais regiões já fragilizadas. Será que o fim de um regime justifica a erosão de normas que sustentam o sistema internacional desde a Segunda Guerra Mundial?

A nova “crise de legitimidade” das instituições globais

Simbolicamente, o alerta mais contundente sobre a deterioração das estruturas internacionais veio quando o Doomsday Clock, o Relógio do Juízo Final,  foi ajustado para 85 segundos antes da meia-noite, o mais próximo da catástrofe desde a sua criação. A razão? A combinação de tensões nucleares entre grandes potências, conflitos prolongados e a erosão de tratados que limitavam armas estratégicas.

Esse movimento é o espelho de um mundo em que cooperação e diplomacia multilateral estão cedendo espaço à competição geopolítica aberta um cenário que parece desafiar o espírito das instituições que emergiram no pós-guerra.

Reconfiguração de alianças e o papel de atores emergentes

A relação entre União Europeia e China também está em um ponto de virada. Após as eleições europeias de 2024, forças mais diversas incluindo partidos conservadores e de direita  ganharam influência, criando um equilíbrio mais delicado entre cooperação e competição com Pequim.

Esse realinhamento pode levar a uma política externa mais assertiva da UE, com foco em autonomia estratégica e segurança tecnológica  mas também agrava tensões em setores como comércio, tecnologia e investimentos.

Irã, protestos e o questionamento da legitimidade do poder

Enquanto grandes potências recalibram suas estratégias, a crise interna no Irã continua a desafiar o regime teocrático, com protestos significativos contra a repressão e debates sobre mudança de liderança. Observadores internacionais veem isso como um sinal de que até regimes mais consolidados podem enfrentar rupturas internas que têm reflexos externos, afetando a estabilidade regional no Oriente Médio.

Eleições na Ásia e o teste global à democracia

No início de 2026, importantes eleições gerais ocorreram em países como Bangladesh, palco de choques políticos e preocupações com a transparência do processo eleitoral. Observadores e organizações internacionais classificaram o pleito como um teste à resiliência democrática num momento em que eleições em várias partes do mundo são pressionadas por polarização e repressão.

Reflexos no Brasil: mais do que espectador

Embora muitos desses eventos ocorram fora do Brasil, suas implicações são diretas. Especialistas brasileiros já alertaram que a instabilidade global tende a influenciar o ambiente político interno, especialmente em ano eleitoral. Pressões sobre políticas econômicas, segurança regional e relações com blocos como G7 e BRICS serão temas inevitáveis nos debates eleitorais brasileiros.


Opinião Editorial: Entre a Ordem e o Caos

O ano de 2026 expõe uma lógica inquietante: a ordem global não está apenas mudando de mãos  ela está sendo contestada em suas bases. Intervenções militares, conflitos duradouros, pressões sobre instituições multilaterais e eleições sob suspeita colocam em xeque não só governos específicos, mas o próprio contrato internacional que rege relações entre Estados soberanos.

Nesse contexto de incerteza, o Brasil enfrenta o desafio de definir uma política externa que seja pragmática sem abrir mão de princípios democráticos, e que defenda seus interesses econômicos sem se alienar de parceiros essenciais.

O mundo que emerge é simultaneamente mais complexo e mais perigoso  não pela ausência de regras, mas pela sua flexível interpretação por potências que buscam vantagem estratégica em cada crise.



COMENTÁRIOS

LEIA TAMBÉM

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.