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Pedra Bela,03/02/2026

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Carmem de Lucca

Situações climáticas no Brasil em janeiro: extremos de chuva e calor marcam o início do ano

Foto de Elizaveta Mitenkova
Situações climáticas no Brasil em janeiro: extremos de chuva e calor marcam o início do ano

O mês de janeiro, que marca o auge do verão no Brasil, costuma ser caracterizado por altas temperaturas e fortes chuvas, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e parte do Norte, devido à atuação combinada da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), da umidade vinda da Amazônia e do aquecimento diurno. Nos últimos anos, porém, o padrão de janeiro tem sido marcado por extremos mais intensos: episódios de chuva volumosa e enchentes em algumas áreas, ao mesmo tempo em que outras regiões enfrentam ondas de calor e estiagens prolongadas.

Chuvas intensas e inundações

Historicamente, janeiro é um dos meses mais chuvosos do ano no Sudeste e Centro-Oeste. A ZCAS — um corredor de umidade que se estende da Amazônia em direção ao Atlântico Sul — costuma se organizar com mais frequência nesse período, provocando dias seguidos de chuva volumosa.

Quando a ZCAS fica estacionária sobre a mesma região por vários dias, há aumento expressivo do risco de:

  • enchentes em áreas urbanas, devido à drenagem deficiente;
  • deslizamentos de terra em encostas, especialmente em comunidades vulneráveis;
  • transbordamento de rios e córregos.

Eventos recentes de janeiro em estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia têm mostrado acumulados de chuva em poucos dias equivalentes ou superiores à média de todo o mês, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN). Esse excesso reforça a percepção de que episódios extremos de precipitação estão se tornando mais frequentes e intensos.

Ondas de calor e estiagens regionais

Enquanto uma parte do país enfrenta excesso de chuva, outras áreas podem registrar calor extremo e falta de precipitação, sobretudo no interior do Nordeste e em partes do Centro-Oeste e Sul, a depender do ano e do padrão climático de grande escala (como El Niño ou La Niña).

Ondas de calor em janeiro costumam levar:

  • temperaturas máximas acima da média histórica por vários dias consecutivos;
  • aumento da demanda por energia elétrica (uso de ar-condicionado e ventiladores);
  • queda na umidade relativa do ar em algumas regiões;
  • estresse hídrico para lavouras e pastagens, com impacto na agricultura e na pecuária.

Relatórios do INMET e da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) apontam que, em anos de El Niño, o padrão tende a favorecer temperaturas mais elevadas e irregularidade das chuvas em parte do Brasil, intensificando o contraste entre áreas muito secas e áreas sujeitas a temporais.

Impactos urbanos e sociais

Nas grandes cidades brasileiras, janeiro é um mês crítico para a gestão de riscos ambientais:

  • Capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador enfrentam rotineiramente alagamentos em vias importantes, paralisação parcial do transporte público e danos à infraestrutura.
  • Comunidades em áreas de encosta convivem com risco aumentado de deslizamentos, efeito agravado pela ocupação irregular do solo e pela falta de obras de contenção adequadas.
  • Situações de calor extremo afetam a saúde pública, aumentando casos de desidratação, problemas cardiovasculares e sobrecarga em serviços de urgência, principalmente entre idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.

O CEMADEN mantém em janeiro um nível mais alto de vigilância, emitindo alertas de desastres associados tanto a chuvas intensas quanto a estiagens, orientando defesas civis estaduais e municipais.

Agricultura e recursos hídricos

Para o setor agropecuário, janeiro é decisivo:

  • Na região Centro-Sul, coincide com fases sensíveis de culturas como soja e milho (enchimento de grãos), que exigem bom regime de chuvas, mas são prejudicadas por precipitações excessivas e falta de luminosidade.
  • No Nordeste semiárido, a distribuição irregular das chuvas em janeiro impacta a recarga de açudes e reservatórios, influenciando a disponibilidade de água para o resto do ano.
  • Nas bacias hidrográficas importantes para geração de energia (como Paraná, São Francisco e Tocantins-Araguaia), o comportamento das chuvas em janeiro ajuda a definir os níveis dos reservatórios, com reflexos sobre o sistema elétrico nacional.

Boletins da ANA e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) costumam destacar janeiro como um período-chave para a recuperação ou deterioração dos volumes de água armazenados, após a estação seca do inverno e da primavera.

Mudanças climáticas e aumento dos extremos

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e estudos de instituições brasileiras, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), apontam que o aquecimento global está relacionado ao aumento da frequência e intensidade de eventos extremos no Brasil:

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