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Pedra Bela,18/04/2026

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Regina Papini Steiner

A incoerência como sintoma: quando o discurso não encontra a prática.

Arte criada - Barão
A incoerência como sintoma: quando o discurso não encontra a prática.

A incoerência como sintoma: quando o discurso não encontra a prática.

Em um tempo em que posicionamentos são exibidos como vitrines, a coerência entre o que se diz e o que se faz tornou-se não apenas rara, mas frequentemente dispensável. O discurso público sobretudo nas redes e nos espaços institucionais  é moldado por valores que prometem transformação, justiça e consciência. No entanto, na prática cotidiana, esses mesmos valores são frequentemente abandonados em nome da conveniência, do lucro ou da manutenção de privilégios.

O capitalismo contemporâneo, com sua lógica de mercado onipresente, tem papel central nessa dissociação. Ele não apenas organiza a economia, mas também captura subjetividades, molda comportamentos e redefine o que é aceitável inclusive no campo ético. Empresas que levantam bandeiras sociais em campanhas publicitárias, mas mantêm práticas trabalhistas questionáveis; indivíduos que defendem causas progressistas enquanto reproduzem desigualdades em suas próprias relações: os exemplos são abundantes e reveladores.

A incoerência, nesse cenário, deixa de ser um desvio e passa a operar como mecanismo funcional. O sistema não apenas tolera contradições ele se alimenta delas. O engajamento simbólico, muitas vezes superficial, substitui ações concretas. O posicionamento vira moeda social, enquanto a prática real permanece submetida às mesmas estruturas que se dizem combater.

Há, ainda, um componente de autoengano. A narrativa pessoal construída em torno de valores éticos serve como escudo contra críticas, criando uma sensação de integridade que nem sempre se sustenta diante dos fatos. A distância entre discurso e ação, portanto, não é apenas social é também interna.

O resultado é um ambiente onde a crítica perde força, diluída em performances de virtude, e onde mudanças estruturais são constantemente adiadas. Questionar essa incoerência não é um exercício moralista, mas uma necessidade política e social. Afinal, quando o que se fala não encontra eco no que se faz, o discurso deixa de ser ferramenta de transformação e passa a ser apenas mais um produto em circulação.

por Regina Papini Steiner



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