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Pedra Bela,04/08/2026

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Nathália Bulsing

Domingos que alimentam a alma

Mais do que um café da manhã, é o encontro de quem faz da mesa um lugar de afeto, onde cada gosto, cada risada e cada lembrança encontram espaço.


Domingos que alimentam a alma

Há domingos que começam mais tarde, como se o relógio entendesse que alguns dias não nasceram para a pressa. A casa desperta aos poucos. Um bocejo aqui, um passo descalço ali, e logo o aroma do café passado toma conta dos cômodos, chamando todos para perto da mesa.

Não é uma mesa farta pelas aparências. É farta pelo que carrega. O pão ainda morno da padaria do bairro, o café recém-passado, a manteiga, o bolo simples e os pequenos detalhes que só quem ama conhece. O doce de leite daquela marca gaúcha que é o preferido de um. A torrada que não pode faltar no prato do outro. O pão com ovo que alguém sempre pede do mesmo jeito, porque domingo também tem gosto de tradição.

As pré-adolescentes ainda não cresceram. As crianças também não. Pelo menos não enquanto o domingo acontece. Elas riem alto, disputam o último pedaço de pão, contam histórias sem começo nem fim e transformam a manhã em um lugar onde o tempo desacelera.

E, vez ou outra, a mesa ganha mais uma cadeira. Chega uma sobrinha, uma prima ou alguém que entra sem cerimônia, serve uma xícara de café e logo faz parte da conversa. Porque algumas mesas têm esse dom: sempre encontram espaço para mais um.

Entre um gole e outro, ninguém conta as horas. Contam lembranças, fazem planos, dividem as alegrias da semana e transformam os problemas em algo menor. O café esfria antes das conversas terminarem, porque há coisas muito mais importantes do que bebê-lo quente.

Quando a mesa finalmente é desfeita, sobram algumas migalhas, xícaras vazias e o perfume do café ainda no ar. Mas o que realmente permanece são as risadas espalhadas pela casa, aquelas que continuam ecoando mesmo depois que cada um segue o seu caminho.

Talvez esse seja o verdadeiro significado do domingo: descobrir que a felicidade mora nas coisas mais simples. No café passado sem pressa, no pão da padaria do bairro, nos gostos únicos de cada um, nas pré-adolescentes que ainda insistem em ser crianças, nas crianças que ainda não cresceram, na sobrinha, na prima que aparecem de surpresa e na certeza de que, ao final de cada domingo, o que sempre sobra à mesa são mais risadas, mais alegrias e mais vontade de repetir tudo outra vez.



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