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Pedra Bela,23/08/2026

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Eleições 2026: o que Lula, Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado propõem para economia, emprego e impostos

Eleições 2026: o que Lula, Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado propõem para economia, emprego e impostos

Planos dos três primeiros colocados no Datafolha revelam diferenças sobre o papel do Estado, a criação de empregos, a política tributária e o controle das contas públicas.

por Regina Papini Steiner - Jornal Iconic

A economia ocupa uma posição central na disputa pela Presidência da República em 2026. Inflação, custo dos alimentos, impostos, geração de empregos e equilíbrio das contas públicas estão entre as principais preocupações dos brasileiros e aparecem, com abordagens distintas, nos programas apresentados pelos candidatos.

Esta análise considera os três primeiros colocados na pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto: Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, com 39% das intenções de voto; Flávio Bolsonaro, do PL, com 33%; e Ronaldo Caiado, do PSD, com 5%. O levantamento ouviu 2.058 pessoas entre 18 e 20 de agosto, em 128 municípios, e apresenta margem de erro de dois pontos percentuais.

A comparação foi realizada a partir dos planos de governo registrados no sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral. O objetivo não é determinar qual programa é o melhor, mas mostrar o que cada candidato propõe, quais são suas prioridades e até que ponto os documentos explicam como as medidas poderão ser executadas.

Lula aposta em investimento público, indústria e valorização da renda

O programa de Luiz Inácio Lula da Silva defende a continuidade de uma estratégia econômica na qual o Estado exerce papel importante na indução do crescimento. A proposta combina investimentos públicos, financiamento estatal, política industrial, infraestrutura, valorização do salário mínimo e estímulo ao consumo das famílias.

Na área produtiva, o plano pretende dar continuidade à Nova Indústria Brasil, ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento e ao Plano de Transformação Ecológica. A intenção é utilizar crédito, compras governamentais, incentivos fiscais e investimentos em infraestrutura para estimular a produção nacional, a inovação tecnológica e a criação de empregos.

O programa também propõe ampliar o acesso das pequenas empresas às compras públicas, simplificar o ambiente de negócios e assegurar tratamento tributário considerado justo durante a implantação da reforma dos impostos sobre o consumo.

Emprego e renda

Na área trabalhista, Lula promete manter a política de valorização real do salário mínimo, com reajustes superiores à inflação. O documento considera o aumento do piso nacional um instrumento de distribuição de renda, redução da pobreza e fortalecimento do mercado consumidor.

O plano também prevê:

  • fortalecimento do Sistema Público de Emprego, Trabalho e Renda;
  • ampliação da qualificação profissional;
  • integração entre vagas, cursos e certificações;
  • expansão da Plataforma Pública Nacional de Empregabilidade, com uso de inteligência artificial;
  • estímulo a empregos ligados à cultura, ao meio ambiente, ao esporte, à preservação do patrimônio e à economia do cuidado;
  • combate à pejotização fraudulenta;
  • ampliação da proteção aos trabalhadores de aplicativos e da economia digital.

A proposta vincula crédito público, incentivos fiscais e compras governamentais à geração de empregos considerados de qualidade.

Impostos

Na política tributária, Lula defende a continuidade da reforma dos impostos sobre o consumo, que substitui cinco tributos ,PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS , pela CBS, de competência federal, e pelo IBS, administrado por estados e municípios.

O programa destaca a isenção da cesta básica e o sistema de cashback, pelo qual parte do imposto pago pelas famílias de baixa renda é devolvida. Também sustenta a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil e a maior tributação sobre contribuintes de renda elevada, fundos exclusivos e recursos mantidos no exterior.

A prioridade é tornar o sistema mais progressivo: reduzir proporcionalmente o peso dos impostos sobre os mais pobres e ampliar a participação dos contribuintes de maior renda.

O principal desafio será conciliar a ampliação dos investimentos e das políticas sociais com o controle da dívida pública. Embora o programa defenda responsabilidade fiscal, parte de suas medidas depende da arrecadação, da evolução das despesas e da aprovação do Congresso Nacional.

Flávio Bolsonaro propõe redução de impostos e do custo das contratações

O programa de Flávio Bolsonaro apresenta uma orientação econômica . A proposta coloca a iniciativa privada, a redução de impostos, a desregulamentação, as privatizações e a diminuição do custo do Estado como elementos centrais para estimular o crescimento.

O candidato pretende revisar despesas públicas, realizar uma reforma administrativa, retomar o Programa Nacional de Desestatização e modificar as regras fiscais. O argumento apresentado é que contas públicas equilibradas contribuiriam para reduzir juros, inflação e custos dos financiamentos para empresas e consumidores.

Emprego e renda

Na área do emprego, o programa propõe reduzir gradualmente o custo de contratação dos trabalhadores formais, sem retirar, segundo o documento, os direitos previstos na legislação.

Entre as principais medidas estão:

  • contrato específico para jovens de 18 a 24 anos que buscam o primeiro emprego;
  • redução dos custos incidentes sobre a folha para estimular a contratação de jovens;
  • incentivo à contratação de pessoas com mais de 50 anos desempregadas há pelo menos 12 meses;
  • criação de um banco nacional de vagas conectado aos departamentos de recursos humanos das empresas;
  • prioridade aos beneficiários de programas sociais em cursos de qualificação e programas de emprego;
  • jornadas mais flexíveis;
  • prevalência de acordos negociados entre trabalhadores e empresas sobre determinadas regras legais;
  • manutenção das oportunidades de trabalho por aplicativos.

O plano também prevê que beneficiários que consigam emprego e posteriormente fiquem desempregados possam retornar aos programas de transferência de renda, desde que continuem atendendo aos critérios exigidos.

A proposta aposta na redução do custo da mão de obra para estimular a formalização. Entretanto, o documento não detalha completamente quais encargos seriam reduzidos, quanto a medida custaria nem como uma eventual perda de arrecadação previdenciária seria compensada.

Impostos

Flávio Bolsonaro promete revisar a reforma tributária em implantação. O candidato pretende reduzir a alíquota estimada do Imposto sobre Valor Agregado, diminuir as exceções concedidas a determinados setores e preservar a simplificação dos tributos.

O programa também propõe:

  • reduzir impostos sobre produção e consumo;
  • desonerar exportações e investimentos;
  • diminuir tributos sobre energia elétrica e combustíveis;
  • revisar encargos e subsídios incluídos na conta de luz;
  • reduzir a cumulatividade, evitando a cobrança de imposto sobre imposto;
  • unificar e simplificar a legislação tributária.

O plano relaciona a redução de impostos ao corte de despesas, à revisão de políticas públicas e às privatizações. O ponto que exige maior esclarecimento é como o governo compensaria a queda da arrecadação sem comprometer serviços públicos, investimentos e programas sociais.

Caiado combina responsabilidade fiscal, investimento privado e revisão de gastos

Ronaldo Caiado apresenta uma proposta que procura ocupar uma posição intermediária entre a forte participação estatal defendida por Lula e o programa mais liberal de Flávio Bolsonaro.

Seu plano considera a iniciativa privada o principal motor da economia, mas preserva ao Estado as funções de planejamento, coordenação, financiamento de políticas estratégicas e redução das desigualdades regionais.

A estratégia econômica é baseada no aumento da produtividade, na atração de investimentos, na expansão da infraestrutura, na industrialização e na agregação de valor às riquezas brasileiras. O candidato defende que o país deixe de exportar predominantemente matérias-primas e passe a produzir mais máquinas, tecnologia e bens industrializados.

Emprego e renda

Caiado propõe gerar empregos formais por meio da melhoria do ambiente de negócios, da inovação, da infraestrutura e da expansão dos investimentos privados.

O programa prevê:

  • política industrial nacional com continuidade entre diferentes governos;
  • integração entre ciência, tecnologia, financiamento e comércio exterior;
  • qualificação profissional conectada às vagas disponíveis;
  • apoio ao primeiro emprego;
  • integração dos programas de transferência de renda com qualificação, creches e intermediação de mão de obra;
  • redução gradual dos benefícios sociais quando o trabalhador ingressar no mercado formal;
  • estímulo ao empreendedorismo e ao acesso ao crédito;
  • fortalecimento das cadeias de agronegócio, indústria, mineração, energia, turismo e economia digital.

O plano estabelece indicadores para acompanhar emprego formal, produtividade, renda, investimentos e custo de vida. Também promete condicionar projetos públicos a metas, cronogramas, fontes de financiamento e avaliação de resultados.

Impostos

Na política tributária, Caiado afirma que o ajuste fiscal não será realizado por meio de aumentos sucessivos de impostos nem de cortes lineares nos serviços públicos.

A proposta é conter o crescimento das despesas obrigatórias, eliminar privilégios, rever subsídios e benefícios tributários sem resultados comprovados e fazer com que os gastos correntes cresçam abaixo do Produto Interno Bruto.

Diferentemente de Lula, que enfatiza a progressividade tributária, e de Flávio Bolsonaro, que promete uma redução mais ampla dos impostos, Caiado concentra sua proposta na estabilidade das regras e na revisão das despesas.

O plano menciona reduções tributárias direcionadas, como a diminuição dos impostos sobre smartphones de entrada e a criação de regimes estáveis para investimentos tecnológicos. Entretanto, não apresenta uma proposta abrangente para o Imposto de Renda nem fixa uma meta geral de redução da carga tributária.

As principais diferenças

Os três programas concordam que o Brasil precisa crescer, gerar empregos formais, elevar a produtividade e simplificar o sistema tributário. As divergências aparecem principalmente nos instrumentos escolhidos para alcançar esses objetivos.

Lula atribui ao Estado uma função mais ativa, por meio de investimentos públicos, bancos estatais, política industrial, valorização do salário mínimo e compras governamentais. Na tributação, defende cobrar proporcionalmente mais dos contribuintes de maior renda e menos da população pobre.

Flávio Bolsonaro aposta na redução de impostos, dos custos trabalhistas, da regulamentação e do tamanho do Estado. Sua proposta pretende fortalecer a iniciativa privada, flexibilizar relações de trabalho e revisar a reforma tributária.

Caiado procura combinar responsabilidade fiscal, investimento privado, planejamento governamental e avaliação de resultados. Seu programa enfatiza a revisão de gastos e benefícios tributários antes da criação de novos impostos.

TemaLulaFlávio BolsonaroRonaldo Caiado
Papel do EstadoIndutor do crescimento e dos investimentosMenor participação e mais espaço para a iniciativa privadaPlanejador e coordenador, com protagonismo privado
Geração de empregosInvestimentos, indústria, salário mínimo e qualificaçãoRedução do custo de contratação e flexibilizaçãoProdutividade, infraestrutura, inovação e qualificação
Relações trabalhistasAmpliação da proteção e combate à pejotização fraudulentaNegociado sobre o legislado e contratos incentivadosIntegração entre qualificação, assistência e emprego
Imposto de RendaIsenção até R$ 5 mil e maior tributação no topoNão apresenta uma nova faixa clara de isençãoNão apresenta proposta abrangente para o IR
Impostos sobre consumoImplantação da reforma, cesta básica isenta e cashbackRevisão da reforma e redução do IVAEstabilidade tributária e reduções direcionadas
Ajuste fiscalArcabouço fiscal, crescimento e aumento da progressividadeCortes, revisão de gastos e privatizaçõesControle das despesas, revisão de privilégios e subsídios

Promessas ainda precisam de respostas

Os programas indicam caminhos diferentes, mas nenhum deles elimina os desafios de execução. Reduzir impostos exige demonstrar como a arrecadação será compensada. Ampliar investimentos públicos requer indicar fontes de financiamento. Diminuir encargos trabalhistas demanda explicar os efeitos sobre a Previdência e os direitos sociais.

Também será necessário verificar quais propostas podem ser executadas diretamente pelo presidente e quais dependem de aprovação da Câmara dos Deputados e do Senado.

Mais do que observar slogans, o eleitor precisa perguntar: quanto a proposta custará, de onde virá o dinheiro, qual é o prazo de implantação e quais grupos serão beneficiados ou afetados?

A comparação dos planos mostra que a eleição de 2026 não coloca em disputa apenas nomes e partidos. Ela apresenta diferentes concepções sobre o papel do Estado, a distribuição dos impostos, a proteção dos trabalhadores e o modelo de desenvolvimento que o Brasil deverá seguir a partir de 2027.

Fontes

Tribunal Superior Eleitoral — Sistema DivulgaCandContas e programas de governo registrados pelas candidaturas.

Datafolha — pesquisa de intenção de voto realizada entre 18 e 20 de agosto de 2026, registro TSE BR-04496/2026.




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