Rubens Bernardo Tomas
Carnaval 2026
por Michael Noel
Carnaval 2026 LGBT+: onde ir, como curtir com seu pet e por que escolher destinos mais conscientes
Por uma folia plural, segura e afetiva
O Carnaval de 2026 se anuncia como mais do que festa: é território político, afetivo e cultural, especialmente para a população LGBT+. Em um cenário ainda marcado por desigualdades e violência, escolher onde e como brincar também é um gesto de afirmação. E, cada vez mais, essa decisão inclui outro membro da família: o pet.
A seguir, apresento dicas de destinos LGBT+ friendly, reflexões sobre folia responsável com animais e um olhar crítico sobre o que faz um Carnaval ser, de fato, inclusivo.
Destinos LGBT+ friendly no Carnaval 2026
São Paulo (SP)
São Paulo segue como referência quando o assunto é diversidade. Blocos como Minhoqueens, Agrada Gregos, Siga Bem Caminhoneira e Acadêmicos do Baixo Augusta não apenas celebram a cultura LGBT+, como também levantam pautas de direitos humanos, gênero e democracia.
📌 Ponto crítico: a cidade ainda carece de políticas mais claras de segurança específica para pessoas trans durante grandes eventos.
Referências:
Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo (APOLGBT-SP)
Observatório de Turismo da Cidade de São Paulo
Rio de Janeiro (RJ)
O Rio mantém sua vocação libertária. Blocos como Divinas Tretas e Toca Rauuuul reúnem corpos dissidentes, alegria e resistência. A cidade também oferece praias e espaços abertos, o que facilita passeios mais tranquilos para quem está com pets.
📌 Ponto crítico: o poder público ainda falha em campanhas de conscientização contra a LGBTfobia durante o Carnaval.
Referências:
Riotur
Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT
Salvador (BA)
O Carnaval de Salvador é ancestral, político e profundamente negro. Blocos afro, coletivos queer e artistas LGBT+ ocupam o centro do debate cultural. Iniciativas independentes têm criado circuitos alternativos, menos violentos e mais acolhedores.
📌 Ponto crítico: a mercantilização excessiva ainda exclui corpos pobres e dissidentes.
Referências:
Observatório da Discriminação Racial, LGBT e Violência contra a Mulher (Salvador)
Fundação Cultural do Estado da Bahia
Recife e Olinda (PE)
Aqui, o Carnaval é rua, frevo e resistência. Coletivos LGBT+ ocupam ladeiras históricas com alegria política e estética própria. O clima mais “diurno” favorece quem quer curtir sem excessos.
Referências:
Secretaria de Cultura de Pernambuco
Coletivos independentes LGBT+ de Olinda
Carnaval com pet: amor também é cuidado
Levar seu pet ao Carnaval não é fantasia, é responsabilidade. Nem todo bloco ou cidade é adequada para animais.
Boas práticas:
Prefira blocos diurnos e tranquilos
Evite multidões, caixas de som e calor extremo
Leve água, coleira com identificação e, se possível, protetor auricular próprio para pets
Observe sinais de estresse: o bem-estar do animal vem antes da selfie
📌 Opinião: amar seu pet é, às vezes, deixar ele em casa ou optar por cidades menores e mais calmas, como Tiradentes (MG), São Thomé das Letras (MG) ou praias alternativas do litoral paulista.
Referências:
Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV)
Sociedade Mundial de Proteção Animal (World Animal Protection)
Carnaval também é posicionamento
O Carnaval LGBT+ não pode ser apenas tolerado, precisa ser protegido, financiado e respeitado. Em 2026, é urgente cobrar:
Campanhas oficiais contra LGBTfobia
Protocolos de segurança para pessoas trans
Apoio a blocos independentes e periféricos
Políticas de acessibilidade real
Brincar Carnaval, para corpos historicamente violentados, é um ato político. E escolher destinos que respeitam a diversidade, os animais e o direito à cidade é parte dessa luta.
Que o Carnaval 2026 seja livre, seguro, afetuoso para todos os corpos e todas as formas de amar.
por Rubens Bernardo Tomas




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