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Pedra Bela,03/02/2026

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Thiago Moreno

Raio atinge manifestantes em ato pró-Bolsonaro em Brasília: um símbolo involuntário de um protesto mal planejado

Divulgação
Raio atinge manifestantes em ato pró-Bolsonaro em Brasília: um símbolo involuntário de um protesto mal planejado

Raio atinge manifestantes em ato pró-Bolsonaro em Brasília: um símbolo involuntário de um protesto mal planejado

Neste domingo (25), um raio atingiu manifestantes em um ato político convocado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) na Praça do Cruzeiro, em Brasília, deixando dezenas de pessoas feridas e gerando pânico em meio a uma forte chuva que caía na capital federal. Segundo o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, 72 pessoas receberam atendimento médico e 30 delas foram levadas a hospitais, oito em condições consideradas graves.

O episódio deveria ser tratado com toda a seriedade devida por quem se preocupa com a integridade das pessoas envolvidas. No entanto, ele evidencia, antes de tudo, o grau de desprezo pelas normas básicas de segurança e pela vida humana que tem marcado boa parte do movimento bolsonarista nos últimos anos. Um grupo de milhares de apoiadores, estimado em cerca de 18 mil pessoas no ato final da campanha de sete dias , reuniu-se debaixo de uma tempestade, em um local a céu aberto, sem consideração suficiente pelas condições climáticas adversas, riscos previsíveis e orientações de especialistas.

Esse não foi um protesto isolado motivado por uma pauta social legítima, mas uma expressão de fanatismo político que prioriza espetáculo e mobilização nas redes sociais em detrimento da segurança e bem-estar dos participantes. Enquanto o país enfrenta desafios reais em saúde, educação e economia, parte significativa da base bolsonarista insiste em pautas que buscam deslegitimar instituições democráticas, como a Suprema Corte, e defender anistias para quem participou de ataques antidemocráticos em 8 de janeiro de 2023  eventos esses que deixaram marcas profundas na história recente do Brasil.

A crítica mais dura não é somente à queda de um raio,  um fenômeno natural imprevisível, mas à escolha de lideranças e seguidores de ignorar alertas óbvios de risco e reunir uma multidão desprotegida sob condições meteorológicas perigosas, como se a própria mobilização fosse mais importante que vidas humanas. Alguns políticos da oposição já classificaram o episódio como resultado de irresponsabilidade e negligência dos organizadores, apontando que prever e se preparar para eventos como tempestades deveria ser obrigação mínima em qualquer ato dessa escala.

Além disso, a forma como setores bolsonaristas lidam com o debate político, frequentemente negando fatos, promovendo desinformação e transformando críticas em ataques pessoais contribui para elevar a tensão social e reduzir o espaço para diálogos razoáveis. Em vez de propor soluções concretas para problemas nacionais, opta-se por confrontos simbólicos, polarização exacerbada e, como hoje ficou claro, mobilizações que colocam pessoas em risco por objetivos políticos vazios.

Se a política deva ser um meio para melhorar a vida das pessoas e fortalecer a democracia, os eventos de Brasília são um alerta contundente de que parte do bolsonarismo ainda prefere transformá-la em espetáculo e militância irresponsável, sem considerar as consequências humanas de suas escolhas.

por Thiago Moreno



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