Thiago Moreno
Papel de Kushner na tentativa de compra da Warner Bros levanta questões éticas, dizem especialistas.
A possível participação de Jared Kushner, empresário e ex-assessor sênior da Casa Branca , em negociações ligadas a uma oferta para adquirir a Warner Bros Discovery tem gerado preocupação entre especialistas em ética pública e regulação empresarial. Segundo análises de consultores e acadêmicos, o envolvimento de figuras com forte influência política no processo de compra de um dos maiores conglomerados de mídia do mundo reacende debates sobre transparência, conflitos de interesse e concentração de poder no setor audiovisual.
Kushner, que manteve projeção política mesmo após deixar o governo norte-americano, teria atuado como facilitador em contatos entre investidores interessados e executivos do mercado de entretenimento. Especialistas apontam que esse tipo de mediação pode suscitar dúvidas sobre possíveis vantagens indevidas, especialmente em um segmento sensível como o de comunicação, onde decisões estratégicas afetam diretamente pluralidade informativa e liberdade editorial.
Analistas do setor observam ainda que a Warner Bros Discovery, responsável por marcas como CNN, HBO e Warner Bros Pictures, vive um período de grande instabilidade financeira, o que a torna alvo de grupos de investimento. No entanto, a presença de atores políticos nas tratativas exige escrutínio redobrado para evitar que interesses governamentais ou partidários interfiram no conteúdo jornalístico e cultural.
Até o momento, representantes de Kushner não comentaram o assunto. A operação, caso avance, deverá enfrentar análises rigorosas de órgãos reguladores dos Estados Unidos, que já têm se mostrado mais atentos à concentração de mídia e ao impacto de transações bilionárias sobre a concorrência.
Por Thiago Moreno



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