Carmem de Lucca
Mudanças no setor elétrico e os apagões registrados em fevereiro e março de 2026
Mudanças no setor elétrico e os apagões registrados em fevereiro e março de 2026.
O Brasil inicia o ano de 2026 com o setor elétrico sob pressão. Entre mudanças estruturais, aumento da demanda e uma sequência de apagões recentes, especialistas alertam para um cenário de instabilidade que deve marcar os meses de fevereiro e março.
Apagões recentes e ocorrências em 2026
Nas primeiras semanas de 2026, diferentes regiões do país registraram interrupções no fornecimento de energia elétrica.
Na Região Metropolitana de São Paulo, temporais provocaram quedas de energia que atingiram mais de 130 mil consumidores em janeiro, com danos à rede causados por ventos fortes e chuvas intensas.
Em fevereiro, novos episódios se repetiram. Um apagão deixou cerca de 500 mil pessoas sem luz na Grande São Paulo após falha em linha de transmissão.
No centro da capital paulista, mais de 30 mil imóveis ficaram sem energia por mais de 24 horas, sem explicação imediata da concessionária.
Outras cidades da região também registraram apagões provocados por quedas de torres e árvores sobre redes de transmissão durante temporais.
Além de São Paulo, o país já registrou falhas em larga escala no sistema interligado, como o apagão nacional de 2025, que afetou todos os estados brasileiros após incêndio em uma subestação no Paraná.
Fatores que explicam as falhas no fornecimento
Especialistas apontam uma combinação de fatores para os apagões recentes:
Eventos climáticos extremos: tempestades, ventos fortes e queda de árvores sobre a rede elétrica têm sido responsáveis por interrupções frequentes.
Falhas técnicas e estruturais: problemas em linhas de transmissão e subestações continuam sendo causa recorrente.
Vulnerabilidade do sistema interligado: episódios recentes indicam fragilidade operacional e risco de efeito dominó no sistema.
Além disso, o setor elétrico brasileiro vive um momento de transição com crescimento acelerado das energias renováveis, o que exige maior controle e equilíbrio entre geração e consumo.
Mudanças estruturais no setor elétrico
O cenário energético de 2026 também é marcado por mudanças estruturais que influenciam diretamente a estabilidade do sistema:
A demanda por energia deve crescer entre 4% e 5% no ano, aumentando a pressão sobre a rede.
O avanço da geração solar e eólica tem criado desequilíbrios no sistema, com excesso de energia em determinados horários e risco de desligamentos automáticos.
Estudos indicam possibilidade de risco de desabastecimento já em 2026, dependendo das condições climáticas e da expansão da capacidade energética.
O Operador Nacional do Sistema (ONS) também alerta para a falta de flexibilidade da rede diante do crescimento das fontes renováveis, o que pode aumentar o risco de crises e apagões.
Risco para fevereiro e março de 2026
Projeções do setor elétrico indicam que o risco de déficit de energia pode reaparecer justamente nos primeiros meses do ano. Cenários simulados pelo sistema apontam que, em condições desfavoráveis, falhas e déficit podem ocorrer entre fevereiro e março de 2026.
Esse período coincide com:
maior incidência de chuvas e tempestades no Sudeste;
alta geração solar em horários de baixa demanda;
aumento gradual do consumo energético após o verão.
Investigações e medidas do governo
Diante do aumento das falhas, o governo federal determinou investigações sobre os apagões, especialmente em São Paulo, para apurar responsabilidades e avaliar a qualidade da prestação do serviço.
Especialistas defendem medidas como:
modernização das redes de distribuição
ampliação de sistemas de armazenamento (baterias)
investimento em geração térmica de segurança
revisão do modelo de integração das energias renováveis
Impactos para a população
Os apagões têm efeitos diretos no cotidiano:
interrupção de transporte e serviços essenciais
prejuízos ao comércio e à indústria
aumento da demanda por sistemas de energia alternativa, como baterias e geradores.
O início de 2026 evidencia um sistema elétrico em transformação e sob pressão. Embora o país tenha capacidade de geração suficiente, a combinação de eventos climáticos, mudanças tecnológicas e fragilidades operacionais coloca o Brasil diante de um risco real de novos apagões, especialmente entre fevereiro e março.
O desafio agora é garantir investimentos, planejamento e adaptação do sistema para evitar que os blecautes se tornem cada vez mais frequentes no cotidiano dos brasileiros.
por Carmem de Lucca



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