Carmem de Lucca
Furacão Melissa e o Brasil
O Furacão Melissa demonstra como sistemas meteorológicos distantes podem ter repercussões significativas em regiões que não chegam a ser impactadas diretamente. No caso brasileiro, o alerta não é de evacuação ou impacto direto como seria no Caribe, mas sim de vigilância e preparação frente a possíveis efeitos secundários.
O Furacão Melissa é um ciclone tropical da bacia do Atlântico que se formou em 2025.
De acordo com os registros iniciais, o sistema começou como uma onda tropical em 16 de outubro de 2025, no Oceano Atlântico, a partir da África Ocidental.
Evoluiu para tempestade tropical em 21 de outubro, tomando o nome “Melissa”.
Após rápida intensificação, atingiu categoria 5 da escala de furacões de National Hurricane Center (NHC) com ventos máximos sustentados próximos de 295 km/h e pressão central muito baixa, o que o coloca entre os mais intensos da história do Atlântico.
Em sua trajetória, atingiu a costa da Jamaica com intensidade máxima, depois seguiu para a Cuba, onde se enfraqueceu para categoria 3 com ventos de cerca de 195 km/h ao atingir a costa cubana.
Por que o Brasil deve prestar atenção
Embora o furacão não esteja previsto para fazer landfall (isto é, tocar terra firme) no Brasil, há reflexos indiretos que afetam parte do território nacional especialmente a faixa Norte do país.
O fenômeno pode intensificar a atividade da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que é um corredor de convergência de umidade e instabilidade atmosférica no Norte da América do Sul e sobre o Brasil.
Consequentes efeitos esperados: aumento de chuvas intensas, rajadas de vento e ressaca costeira, especialmente no extremo Norte (ex: estados como Amazonas, Pará, Amapá).
Em linhas gerais: o Brasil não será diretamente “atacado” pelo furacão, mas sofre influência dos padrões atmosféricos reorganizados por ele. Essa distinção é importante para fins de preparo e alerta local.

Trajetória e impactos principais
Após atingir categoria 5 ao sul da Jamaica, o Melissa seguiu para Cuba e chegou à costa leste cubana dia 29 de outubro, com ventos sustentados de ~195 km/h.
Na Jamaica, houve relatos de inundações, deslizamentos e danos severos à infraestrutura.
O governo brasileiro manifestou solidariedade aos países afetados (Caribe) e manteve plantões consulares ativos para cidadãos brasileiros nos locais atingidos.
Para o público brasileiro: o que fazer?
Fique atento aos boletins meteorológicos emitidos por órgãos como Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) ou pelas Defesas Civis estaduais.
Se morar ou frequentar regiões do extremo Norte (ex: litoral do Amapá) ou for responsável por navegação ou atividades costeiras nessa faixa, considere: reforçar a segurança de embarcações, revisar alertas de ressaca e prever possíveis chuvas fortes.
Mesmo que o furacão não atinja diretamente o Brasil, o reforço de instabilidade significa que eventos locais isolados (como tempestades súbitas) podem surgir atenção especial a alagamentos e ventos.
Mantenha canais de emergência atualizados, e, em áreas costeiras, acompanhe alertas de mar agitado ou ressaca.



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