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Pedra Bela,07/03/2026

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Maude Salazar

Mora em mim

E se o divino que você procura já estiver morando dentro de você?


Mora em mim

Mora em mim

E se o divino que você procura já estiver morando dentro de você?

Por Maúde Salazar

A centelha divina não precisa da sua perfeição, da sua fé ou da sua força para existir. Ela simplesmente habita em você, silenciosa, intacta, esperando ser lembrada.

Há momentos em que a vida nos empurra para dentro.
Não como fuga do mundo, mas como retorno ao centro.

É nesse lugar que “Mora em Mim” nasce.

Não como ideia.
Não como metáfora.

Mas como afirmação de uma verdade silenciosa que muitas tradições espirituais sussurraram ao longo dos séculos:
existe algo divino habitando em você.

Não como visita.
Não como recompensa.
Mas como essência.

Há uma centelha em você que não foi criada pelo mundo.
Ela não depende do que você conquista, do que você erra, do que os outros pensam ou do que você mesmo acredita sobre si.

Ela simplesmente existe.

Essa presença divina não precisa ser sustentada pela sua mente.
Não precisa ser protegida pelas suas crenças.
Não precisa que você seja perfeito.

Ela não depende de você para existir.

Ela já brilhava antes das suas dúvidas.
Já estava viva antes das histórias que ensinaram sobre quem você deveria ser.

Essa centelha não se apaga.

Às vezes ela fica encoberta pelo medo, pela culpa, pelo cansaço de viver tentando corresponder a expectativas que não nasceram do coração.

Mas encobrir não é apagar.

A chama continua ali.

Quietamente.

Independente.

Intacta.

“Mora em Mim” fala dessa presença.

Daquela parte da alma que não se quebra quando tudo parece quebrar.
Daquilo que permanece quando as identidades mudam, quando os papéis caem, quando as certezas desaparecem.

Há algo em você que não precisa de nada para existir.

Nem de aprovação.
Nem de reconhecimento.
Nem de força.

É o ponto onde o divino toca a sua vida por dentro.

Não como autoridade.
Não como cobrança.

Mas como vida pura.

Como presença.

“Mora em Mim” é um canto que nasce quando essa lembrança volta a respirar.

Quando alguém percebe que não precisa procurar o sagrado em algum lugar distante.

Porque o sagrado já está aqui.

No centro silencioso da própria alma.

A canção surge como consequência desse reconhecimento.
Como se a própria centelha encontrasse voz.

Não é a música que cria o divino.

É o divino que, habitando em você, encontra caminho para cantar.

E talvez a mensagem mais simples dessa canção seja também a mais profunda:

aquilo que é mais verdadeiro em você
não precisa de permissão para existir.

Porque a luz que mora em você
não foi acesa pelo mundo.

Ela nasceu com a própria vida.

E continua brilhando.



Maúde Salazar é soprano lírico, escritora e pesquisadora da escuta. Formada em Música pela UFRJ e pelo Conservatório Brasileiro de Música, construiu uma trajetória em que rigor técnico, sensibilidade e presença caminham juntos. Seu trabalho atravessa a música, a palavra e o silêncio como territórios de criação, cuidado e consciência.Doutoranda em Psicanálise e Teologia, investiga a voz não apenas como técnica, mas como linguagem viva, rito e experiência encarnada. Entre concertos, livros, canções e textos, desenvolve uma escuta que acolhe o corpo, o afeto e o mistério, tratando a arte como espaço de abrigo, travessia e reconexão com o essencial.



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