Regina Papini Steiner
SBAT resiste para manter vivo o direito autoral no teatro brasileiro
Em entrevista, Gillray Coutinho fala sobre os desafios da SBAT, a crise da dramaturgia nacional e a sobrevivência do teatro no Brasil
Fundada em 1917 por Chiquinha Gonzaga, a SBAT atravessa mais de um século defendendo os direitos autorais no teatro brasileiro. Hoje, porém, a instituição enfrenta um dos momentos mais delicados de sua trajetória.
Em entrevista concedida por Gillray Coutinho, a atual realidade da entidade foi exposta de maneira direta: dificuldades financeiras, informalidade no setor teatral, fragilidade da fiscalização e a luta para recolocar o direito autoral no centro das políticas culturais brasileiras.
Segundo Gillray, a essência da SBAT permanece inegociável desde sua fundação: a defesa dos direitos dos autores teatrais brasileiros.
“A SBAT tenta não se dobrar às relações que enfraquecem o direito autoral no teatro”, afirmou.
Durante a conversa, ele destacou que o teatro brasileiro ainda vive uma enorme informalidade no que diz respeito ao pagamento e à regulamentação dos direitos autorais. Diferentemente da música, que possui um sistema consolidado através do ECAD , o teatro segue sem uma estrutura forte de fiscalização e arrecadação.
Gillray também chamou atenção para a sobrevivência financeira da própria SBAT. A entidade vive basicamente da pequena taxa administrativa recolhida sobre direitos autorais e do apoio pontual de emendas parlamentares, utilizadas para manutenção da instituição e realização de projetos culturais.
Outro ponto crítico abordado foi a dificuldade da dramaturgia brasileira ocupar espaço nos palcos. Para ele, embora exista investimento no setor teatral, a distribuição desses recursos ainda é extremamente desigual.
“A dramaturgia nacional é muito carente de incentivo, oficinas, publicação de peças e formação contínua”, comentou.
Gillray também criticou o excesso de produções estrangeiras e adaptações comerciais que, segundo ele, acabam afastando o teatro da realidade brasileira e dificultando o fortalecimento de autores nacionais.
A entrevista ainda abordou problemas relacionados aos direitos internacionais, especialmente em montagens que deixam de creditar tradutores e autores corretamente, situação que pode gerar consequências jurídicas e até sanções internacionais ao Brasil.
Entre as metas da atual gestão da SBAT está a retomada do diálogo com o Ministério da Cultura e a construção de parcerias com a FUNARTE, buscando recolocar a entidade como participante efetiva do sistema de produção teatral brasileiro.
Ao final da entrevista, Gillray deixou uma mensagem direta ao público e aos profissionais do teatro:
“Tem muita gente que ainda não vai ao teatro. Precisamos falar com mais brasileiros, ampliar nossa massa de espectadores e fortalecer nossas associações.”
Mesmo diante das dificuldades, a SBAT segue tentando manter vivo um debate essencial para o futuro da cultura brasileira: o reconhecimento do trabalho intelectual e a valorização da dramaturgia nacional.
por Regina Papini Steiner ( Entrevista na íntegra na Revista ICONIC - lançamento dia 11 de maio)
Fundada em 1917 por Chiquinha Gonzaga, a SBAT atravessa mais de um século defendendo os direitos autorais no teatro brasileiro. Hoje, porém, a instituição enfrenta um dos momentos mais delicados de sua trajetória.
Em entrevista concedida por Gillray Coutinho, a atual realidade da entidade foi exposta de maneira direta: dificuldades financeiras, informalidade no setor teatral, fragilidade da fiscalização e a luta para recolocar o direito autoral no centro das políticas culturais brasileiras.
Segundo Gillray, a essência da SBAT permanece inegociável desde sua fundação: a defesa dos direitos dos autores teatrais brasileiros.
“A SBAT tenta não se dobrar às relações que enfraquecem o direito autoral no teatro”, afirmou.
Durante a conversa, ele destacou que o teatro brasileiro ainda vive uma enorme informalidade no que diz respeito ao pagamento e à regulamentação dos direitos autorais. Diferentemente da música, que possui um sistema consolidado através do ECAD , o teatro segue sem uma estrutura forte de fiscalização e arrecadação.
Gillray também chamou atenção para a sobrevivência financeira da própria SBAT. A entidade vive basicamente da pequena taxa administrativa recolhida sobre direitos autorais e do apoio pontual de emendas parlamentares, utilizadas para manutenção da instituição e realização de projetos culturais.
Outro ponto crítico abordado foi a dificuldade da dramaturgia brasileira ocupar espaço nos palcos. Para ele, embora exista investimento no setor teatral, a distribuição desses recursos ainda é extremamente desigual.
“A dramaturgia nacional é muito carente de incentivo, oficinas, publicação de peças e formação contínua”, comentou.
Gillray também criticou o excesso de produções estrangeiras e adaptações comerciais que, segundo ele, acabam afastando o teatro da realidade brasileira e dificultando o fortalecimento de autores nacionais.
A entrevista ainda abordou problemas relacionados aos direitos internacionais, especialmente em montagens que deixam de creditar tradutores e autores corretamente, situação que pode gerar consequências jurídicas e até sanções internacionais ao Brasil.
Entre as metas da atual gestão da SBAT está a retomada do diálogo com o Ministério da Cultura e a construção de parcerias com a FUNARTE, buscando recolocar a entidade como participante efetiva do sistema de produção teatral brasileiro.
Ao final da entrevista, Gillray deixou uma mensagem direta ao público e aos profissionais do teatro:
“Tem muita gente que ainda não vai ao teatro. Precisamos falar com mais brasileiros, ampliar nossa massa de espectadores e fortalecer nossas associações.”
Mesmo diante das dificuldades, a SBAT segue tentando manter vivo um debate essencial para o futuro da cultura brasileira: o reconhecimento do trabalho intelectual e a valorização da dramaturgia nacional.
por Regina Papini Steiner ( Entrevista na íntegra na Revista ICONIC - lançamento dia 11 de maio)



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