Carmem de Lucca
O que esperar do clima brasileiro até o início de setembro?
O que esperar do clima brasileiro até o início de setembro?
Calor acima da média, chuvas irregulares e influência crescente do El Niño devem marcar as próximas semanas
Por Carmem de Lucca - Jornal Iconic
O Brasil deve enfrentar um período de contrastes climáticos até o início de setembro. Enquanto algumas regiões terão temperaturas acima da média e baixa umidade do ar, outras poderão registrar episódios de chuva intensa. O cenário é influenciado pela transição do inverno e pelo fortalecimento do fenômeno El Niño, cuja probabilidade de permanência durante o segundo semestre de 2026 ultrapassa 95%, segundo nota técnica conjunta do INPE, INMET, Funceme e Censipam.
Especialistas alertam que o comportamento do clima nas próximas semanas exige atenção tanto da população quanto dos setores agrícola, energético e da Defesa Civil, já que o país deverá conviver com extremos meteorológicos em diferentes regiões.
Sul: mais chuva e risco de temporais
A Região Sul continua sendo a área com maior probabilidade de registrar volumes de chuva acima da média, especialmente no Rio Grande do Sul. A passagem frequente de frentes frias poderá provocar temporais localizados, rajadas de vento e acumulados expressivos de precipitação.
Embora as temperaturas típicas do inverno ainda ocorram durante as madrugadas, a tendência é de alternância entre dias frios e períodos mais amenos, característica comum durante episódios de El Niño.
Sudeste: tempo seco e calor em elevação
No Sudeste, o cenário predominante será de baixa umidade relativa do ar, poucas chuvas e aumento gradual das temperaturas ao longo de agosto.
Estados como São Paulo, Minas Gerais e interior do Rio de Janeiro poderão registrar tardes bastante quentes para esta época do ano, aumentando o risco de queimadas e de problemas respiratórios, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. A recomendação é reforçar a hidratação e evitar atividades físicas intensas nos horários mais quentes do dia.
Centro-Oeste: calor e umidade em níveis críticos
O Centro-Oeste deve manter o padrão típico da estação seca, com escassez de chuvas, temperaturas elevadas durante a tarde e umidade relativa do ar frequentemente abaixo dos níveis considerados ideais pela Organização Mundial da Saúde.
Além do desconforto térmico, cresce a preocupação com incêndios florestais no Cerrado e em áreas de transição com o Pantanal, especialmente se persistirem longos períodos sem precipitação significativa.
Nordeste: contrastes entre litoral e interior
No Nordeste, o litoral ainda poderá registrar chuvas ocasionais associadas aos ventos vindos do oceano, enquanto o interior tende a permanecer com tempo seco e temperaturas acima da média.
Em áreas do semiárido, a combinação entre calor intenso e baixa umidade continuará exigindo atenção para o abastecimento hídrico e para a agricultura de sequeiro.
Norte: calor persistente e chuvas irregulares
A Região Norte deverá continuar apresentando temperaturas superiores à média histórica. Apesar da possibilidade de pancadas de chuva em parte da Amazônia, a previsão indica precipitação abaixo do normal em grande parte da região, favorecendo a redução do nível dos rios em algumas áreas e aumentando o risco de queimadas.
El Niño volta ao centro das atenções
O fator climático que mais preocupa os meteorologistas é o fortalecimento do El Niño.
O aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico modifica a circulação atmosférica em escala global e influencia diretamente o regime de chuvas e temperaturas no Brasil. Os modelos climáticos mais recentes indicam alta probabilidade de que o fenômeno permaneça ativo ao longo dos próximos meses, podendo intensificar eventos extremos como secas, ondas de calor e episódios de chuva intensa, dependendo da região.
Atenção às mudanças rápidas
Apesar das tendências sazonais, especialistas lembram que previsões climáticas indicam probabilidades e não garantias. A passagem de frentes frias, sistemas de baixa pressão e massas de ar polar pode alterar temporariamente o padrão previsto, especialmente no Sul e no Sudeste.
Por isso, acompanhar diariamente os boletins meteorológicos oficiais permanece sendo a melhor forma de se preparar para mudanças bruscas no tempo.
Resumo da previsão até o início de setembro
- Sul: maior frequência de chuvas, possibilidade de temporais e alternância entre frio e dias amenos.
- Sudeste: predomínio de tempo seco, calor crescente e baixa umidade.
- Centro-Oeste: poucas chuvas, calor intenso e elevado risco de queimadas.
- Nordeste: chuvas concentradas no litoral e tempo seco no interior.
- Norte: temperaturas acima da média e chuvas irregulares, com possibilidade de estiagem em diversas áreas.
Os próximos dias devem consolidar um padrão típico de inverno sob influência crescente do El Niño: calor acima do esperado em boa parte do país, distribuição irregular das chuvas e maior probabilidade de eventos climáticos extremos. Para especialistas, o momento reforça a importância do monitoramento contínuo das condições meteorológicas e da adoção de medidas preventivas por parte da população e das autoridades.
Fontes: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE), Cemaden, Funceme e Censipam.



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