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Pedra Bela,18/08/2026

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Carmem de Lucca

O que esperar do clima brasileiro até o início de setembro?

Arison Silvino
O que esperar do clima brasileiro até o início de setembro?

O que esperar do clima brasileiro até o início de setembro?

Calor acima da média, chuvas irregulares e influência crescente do El Niño devem marcar as próximas semanas

Por Carmem de Lucca - Jornal Iconic

O Brasil deve enfrentar um período de contrastes climáticos até o início de setembro. Enquanto algumas regiões terão temperaturas acima da média e baixa umidade do ar, outras poderão registrar episódios de chuva intensa. O cenário é influenciado pela transição do inverno e pelo fortalecimento do fenômeno El Niño, cuja probabilidade de permanência durante o segundo semestre de 2026 ultrapassa 95%, segundo nota técnica conjunta do INPE, INMET, Funceme e Censipam.

Especialistas alertam que o comportamento do clima nas próximas semanas exige atenção tanto da população quanto dos setores agrícola, energético e da Defesa Civil, já que o país deverá conviver com extremos meteorológicos em diferentes regiões.

Sul: mais chuva e risco de temporais

A Região Sul continua sendo a área com maior probabilidade de registrar volumes de chuva acima da média, especialmente no Rio Grande do Sul. A passagem frequente de frentes frias poderá provocar temporais localizados, rajadas de vento e acumulados expressivos de precipitação.

Embora as temperaturas típicas do inverno ainda ocorram durante as madrugadas, a tendência é de alternância entre dias frios e períodos mais amenos, característica comum durante episódios de El Niño.

Sudeste: tempo seco e calor em elevação

No Sudeste, o cenário predominante será de baixa umidade relativa do ar, poucas chuvas e aumento gradual das temperaturas ao longo de agosto.

Estados como São Paulo, Minas Gerais e interior do Rio de Janeiro poderão registrar tardes bastante quentes para esta época do ano, aumentando o risco de queimadas e de problemas respiratórios, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. A recomendação é reforçar a hidratação e evitar atividades físicas intensas nos horários mais quentes do dia.

Centro-Oeste: calor e umidade em níveis críticos

O Centro-Oeste deve manter o padrão típico da estação seca, com escassez de chuvas, temperaturas elevadas durante a tarde e umidade relativa do ar frequentemente abaixo dos níveis considerados ideais pela Organização Mundial da Saúde.

Além do desconforto térmico, cresce a preocupação com incêndios florestais no Cerrado e em áreas de transição com o Pantanal, especialmente se persistirem longos períodos sem precipitação significativa.

Nordeste: contrastes entre litoral e interior

No Nordeste, o litoral ainda poderá registrar chuvas ocasionais associadas aos ventos vindos do oceano, enquanto o interior tende a permanecer com tempo seco e temperaturas acima da média.

Em áreas do semiárido, a combinação entre calor intenso e baixa umidade continuará exigindo atenção para o abastecimento hídrico e para a agricultura de sequeiro.

Norte: calor persistente e chuvas irregulares

A Região Norte deverá continuar apresentando temperaturas superiores à média histórica. Apesar da possibilidade de pancadas de chuva em parte da Amazônia, a previsão indica precipitação abaixo do normal em grande parte da região, favorecendo a redução do nível dos rios em algumas áreas e aumentando o risco de queimadas.

El Niño volta ao centro das atenções

O fator climático que mais preocupa os meteorologistas é o fortalecimento do El Niño.

O aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico modifica a circulação atmosférica em escala global e influencia diretamente o regime de chuvas e temperaturas no Brasil. Os modelos climáticos mais recentes indicam alta probabilidade de que o fenômeno permaneça ativo ao longo dos próximos meses, podendo intensificar eventos extremos como secas, ondas de calor e episódios de chuva intensa, dependendo da região.

Atenção às mudanças rápidas

Apesar das tendências sazonais, especialistas lembram que previsões climáticas indicam probabilidades e não garantias. A passagem de frentes frias, sistemas de baixa pressão e massas de ar polar pode alterar temporariamente o padrão previsto, especialmente no Sul e no Sudeste.

Por isso, acompanhar diariamente os boletins meteorológicos oficiais permanece sendo a melhor forma de se preparar para mudanças bruscas no tempo.

Resumo da previsão até o início de setembro

  • Sul: maior frequência de chuvas, possibilidade de temporais e alternância entre frio e dias amenos.
  • Sudeste: predomínio de tempo seco, calor crescente e baixa umidade.
  • Centro-Oeste: poucas chuvas, calor intenso e elevado risco de queimadas.
  • Nordeste: chuvas concentradas no litoral e tempo seco no interior.
  • Norte: temperaturas acima da média e chuvas irregulares, com possibilidade de estiagem em diversas áreas.

Os próximos dias devem consolidar um padrão típico de inverno sob influência crescente do El Niño: calor acima do esperado em boa parte do país, distribuição irregular das chuvas e maior probabilidade de eventos climáticos extremos. Para especialistas, o momento reforça a importância do monitoramento contínuo das condições meteorológicas e da adoção de medidas preventivas por parte da população e das autoridades.


Fontes: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE), Cemaden, Funceme e Censipam. 



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