Regina Papini Steiner
Maestro Roberto Tibiriçá morre aos 72 anos e deixa legado na música brasileira
Maestro faleceu na madrugada deste sábado, 3 de outubro, em São Paulo. Sua partida deixa a música brasileira de luto e, entre amigos, a saudade de uma presença querida.
Por Regina Papini Steiner — Jornal Iconic
3 de outubro de 2026
A música brasileira se despede de Roberto Tibiriçá, maestro cuja trajetória marcou importantes orquestras do país e a formação de gerações de músicos. Ele morreu aos 72 anos, na madrugada deste sábado, 3 de outubro de 2026, em São Paulo, onde estava internado. Segundo a TMC, o falecimento ocorreu em decorrência de um câncer que tratava havia cerca de dois anos.
As informações disponíveis confirmam o falecimento durante a madrugada e indicam que o velório será realizado em São Paulo, com local e horários ainda pendentes de confirmação.
Regente titular e diretor musical da Orquestra Sinfônica do Paraná desde 2022, Tibiriçá deixa uma história de dedicação à música de concerto, ao desenvolvimento de conjuntos sinfônicos e à aproximação entre artistas e público.
Do piano à regência, uma vida de entrega
A relação de Tibiriçá com a música começou na infância, aos oito anos, pelo piano. Estudou com Dinorah de Carvalho, Antonio Bezzan e Gilberto Tinetti e recebeu orientações de Guiomar Novaes, uma referência decisiva em seu percurso. A regência ganhou espaço posteriormente, sobretudo a partir do encontro com Eleazar de Carvalho, com quem manteve uma longa relação de aprendizado e trabalho.
Sua carreira passou pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, pela Orquestra Sinfônica Brasileira e pelo Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa. Também esteve à frente da Sinfônica Heliópolis, da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e da implementação em andamento, da Orquestra Sinfônica Jovem do Bixiga. Esses caminhos fizeram de sua atuação uma contribuição contínua à interpretação musical e à formação de novos artistas.
No Instituto Baccarelli, seu trabalho com a Sinfônica Heliópolis integrou uma experiência em que educação musical e oportunidades para jovens caminhavam juntas. Em 2010, participou da turnê europeia da orquestra. A atenção à formação também se expressou no livro O regente sem orquestra, voltado ao estudo da regência. Em 2024, sua trajetória foi reconhecida com o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Minas Gerais.
Um legado nos palcos e na formação de plateias
Na Sinfônica do Paraná, Tibiriçá conduziu uma fase de expansão artística, com apresentações em importantes salas de concerto e projetos de aproximação com o público. Mesmo durante o tratamento, manteve sua atuação junto à orquestra.
Um dos momentos marcantes dessa etapa aconteceu em maio de 2025, nas comemorações dos 40 anos do conjunto. Sob sua regência, mais de 200 músicos e coralistas apresentaram a Segunda Sinfonia de Gustav Mahler, Ressurreição, no Teatro Guaíra. A dimensão daquele encontro traduz parte do que um maestro constrói: reunir diferentes vozes e instrumentos em uma experiência compartilhada.
A despedida de um amigo
Para mim, esta notícia carrega também a dor de uma despedida pessoal. Roberto era um grande amigo, uma pessoa maravilhosa, cuja sensibilidade permanecia nas conversas e nos encontros. Seu talento despertava admiração; sua amizade deixou lembranças que guardarei com carinho.
A saudade chega acompanhada de gratidão. Gratidão pela convivência, pelas palavras trocadas e pela alegria de conhecer a pessoa para além do maestro. Sua grandiosidade está também nessa memória afetiva, construída nos momentos que compartilhamos.
Nesta despedida, deixo meu desejo de que toda a linhagem do Cacique Tibiriçá o acolha com amor e que cada nota musical seja um degrau de luz para seu novo caminhar.
Siga na paz, querido Roberto. Sentirei saudades de nossas conversas. Sua arte permanece na história da música brasileira; sua amizade, no meu coração.



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