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Pedra Bela,27/08/2026

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Maude Salazar

ABSOLVO ME | APOCALIPSE VOX®

APOCALIPSE VOX®


ABSOLVO ME | APOCALIPSE VOX®

ABSOLVO ME | APOCALIPSE VOX®

Culpa, superego e o difícil direito de interromper a própria condenação.

Existe uma diferença entre ouvir uma voz e acreditar nela.

Uma acusação repetida durante muito tempo pode adquirir a aparência de verdade. Já não parece uma voz interior. Parece uma certeza.

É nesse território que nasce ABSOLVO ME, contraponto a MEA CULPA, obra anterior de APOCALIPSE VOX®.

Se MEA CULPA revelou o tribunal interior, ABSOLVO ME pergunta por que continuamos obedecendo à sua sentença.

O passado terminou no tempo, mas pode continuar acontecendo psiquicamente. A mente retorna à mesma cena, repete a acusação, reconstrói o julgamento.

É quando a música diz:

“O peso que eu guardo
se alimenta de mim.”

Certas culpas sobrevivem porque continuam sendo alimentadas pela ruminação, pela repetição e pela crença de que continuar sofrendo é uma forma de demonstrar arrependimento.

Então surge:

“Não apago o que foi,
mas não sustento a prisão.”

A absolvição, aqui, não significa inocência.

O acontecimento permanece verdadeiro. A responsabilidade também.

O que se rompe é outra coisa: a ideia de que reconhecer um erro exige uma condenação permanente.

Responsabilizar-se é reconhecer o que aconteceu e responder por suas consequências.

Punir-se indefinidamente é manter o acontecimento vivo dentro de si.

A prisão não é o passado.

É a impossibilidade de permitir que ele se torne passado.

A música chega então à pergunta:

“Quem fala em mim há tanto tempo?
Quem condena sem fim?”

Na psicanálise, o superego pode assumir justamente essa dimensão severa e punitiva. Antigas exigências, proibições, julgamentos e ideais podem ser incorporados de tal maneira que passam a falar com a própria voz.

E então surge talvez a frase central de ABSOLVO ME:

“Se eu olho sem acreditar,
isso cai em silêncio.”

Olhar sem acreditar não significa negar aquilo que aconteceu.

Significa perceber a diferença entre o fato e a sentença construída a partir dele.

O fato pode dizer:

“Isso aconteceu.”

A voz punitiva acrescenta:

“Portanto, isso é quem você é.”

É essa segunda afirmação que começa a ser questionada.

Um pensamento pode existir sem ser uma verdade.

Uma lembrança pode retornar sem exigir uma nova condenação.

Uma culpa pode ser reconhecida sem transformar-se em identidade.

Por isso:

“Non sum culpa.”

Não significa que não houve culpa.

Significa:

não sou a culpa.

Mais adiante, a música chega à luz:

“In luce, veritas stat.”

Na luz, a verdade permanece.

Não uma luz de inocência, mas de consciência.

O passado não precisa desaparecer.

Precisa apenas deixar de ocupar todo o presente.

No final, depois da culpa, do julgamento e da repetição, resta uma afirmação quase elementar:

“Je suis.”
“In lumine.”
“Eu sou.”

MEA CULPA revelou o tribunal.

ABSOLVO ME questiona a sentença.

Porque talvez a absolvição psíquica não aconteça quando o passado desaparece.

Talvez aconteça quando ele finalmente perde o poder de decidir sozinho aquilo que alguém poderá ser depois dele.

ABSOLVO ME.

Não a negação da culpa.

O fim de sua sentença perpétua.

Maúde Salazar
APOCALIPSE VOX®





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