Monica Vernechi
Confederação sindical questiona influência política de grandes empresas
CSI inclui OpenAI, Bolloré e Apollo em lista de empresas que, para a entidade, enfraquecem a democracia
Relatório da Confederação Sindical Internacional avalia o poder empresarial sobre trabalho, informação e políticas públicas; são avaliações sindicais, não decisões judiciais
Por Monica Vernecchi
A Confederação Sindical Internacional (CSI) incluiu a OpenAI, o Grupo Bolloré e a Apollo Global Management em sua lista de empresas que, segundo a entidade, desestabilizam a democracia. A inclusão consta da edição 2026 do relatório Corporate Underminers of Democracy (Empresas que minam a democracia), com comunicado divulgado em 22 de outubro. É a terceira edição do levantamento, que neste ano destaca seis empresas.
O que a CSI afirma
Segundo a CSI, o relatório mostra que o poder empresarial é cada vez mais usado não só para influenciar as instituições democráticas, mas também para exercer poder de governo. A entidade diz que alguns líderes empresariais passaram do lobby convencional para uma atuação mais direta nas decisões políticas, nas políticas públicas e nas instituições responsáveis por fiscalizar as empresas. O secretário-geral da CSI, Luc Triangle, defende que governos enfrentem o poder corporativo e garantam que trabalhadores tenham voz real nas decisões que afetam suas vidas.
Que tipo de empresa entra na lista
Segundo a descrição do projeto, o relatório reúne anualmente empresas emblemáticas que violam direitos sindicais e humanos, concentram poder no setor, evadem impostos e responsabilidade social, influenciam políticas por lobby intensivo, agravam a crise climática e destinam parte de seus lucros a forças de extrema direita. A CSI ressalta que a lista é representativa e que as empresas listadas não estão sozinhas, pois simbolizam um mundo corporativo mais amplo.
Como a lista é feita
A metodologia declarada pela entidade inclui consulta a filiadas e a parceiros do Conselho dos Sindicatos Globais, revisão de bases de dados de violações corporativas, como o Violation Tracker, e de páginas de empresas do Business & Human Rights Resource Centre, além de pesquisas sobre influência de lobby. Trata-se, portanto, de uma seleção feita por uma entidade sindical, com base em informações públicas e em consultas a organizações aliadas.
Respostas das empresas
Não encontrei, até o fechamento desta matéria, manifestação de OpenAI, Bolloré ou Apollo sobre a inclusão. O histórico recomenda cautela. Na edição de 2024, o Business & Human Rights Resource Centre procurou as sete empresas listadas, e apenas duas responderam às acusações da CSI.
O que a apuração ainda precisa checar
- Quais episódios o relatório documenta contra cada uma das três empresas, e quais fontes sustentam essas acusações.
- Se OpenAI, Bolloré e Apollo foram procuradas antes da divulgação e o que responderam.
- Como as decisões dessas empresas afetam trabalho, informação e políticas públicas em países como o Brasil.
O interesse público está em entender como decisões privadas passam a moldar condições de trabalho e escolhas coletivas. A classificação, porém, é uma avaliação da CSI e não tem valor jurídico.
Fontes: CSI — OpenAI, Bolloré e Apollo entram na lista (22/10/2026) · CSI — Corporate Underminers of Democracy 2026 · CSI — metodologia · Business & Human Rights Resource Centre — respostas à edição de 2024



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