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Pedra Bela,03/02/2026

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Carmem de Lucca

O risco de verões mais longos e quentes: o que está por trás e por que importa.


O risco de verões mais longos e quentes: o que está por trás e por que importa.

O cenário de verões mais longos e quentes se configura como uma nova fronteira de risco climático  não apenas ondas de calor pontuais, mas também uma temporada estendida de calor elevado que exige ajustes nos modos de vida, economia e políticas públicas. Ignorar esse “alongamento” do calor pode levar a impactos acumulativos maiores do que apenas “alguns dias a mais”.4

O que está acontecendo

Pesquisas recentes mostram que o verão  ou melhor, períodos com temperaturas de verão  está se estendendo mais do que no passado em muitas regiões do mundo, o que representa um novo tipo de desafio climático. Por exemplo:

  • Um estudo da Climate Central constatou que, em 227 de 246 grandes cidades dos EUA, o “verão” (temperaturas de verão) agora se estende em média 10 dias a mais no outono do que no início dos anos 1970. 

  • As mudanças climáticas tornaram os dias de calor extremo muito mais frequentes  no período junho-agosto de 2024, a média de pessoas expostas a “dias de calor arriscado” aumentou bastante, afetando bilhões. 

  • A World Meteorological Organization (WMO) afirma que a exposição a ondas de calor aumentará com o aquecimento global, com impactos diferentes conforme local, vulnerabilidade e capacidade de adaptação. 

Por que o verão pode durar mais ou ser mais intenso

Alguns dos mecanismos por trás desse fenômeno incluem:

  • O aquecimento global aumenta a frequência, duração e intensidade de ondas de calor e dias muito quentes  isso eleva a chance de períodos prolongados de calor. 

  • As alterações nos padrões climáticos (como o enfraquecimento ou “meander” dos jatos de ar devido ao aquecimento Ártico) podem fazer com que sistemas meteorológicos “trave­m” em patamares de calor por mais tempo.

  • Em regiões urbanas, o efeito “ilha de calor” (asfalto, concreto, pouca vegetação) intensifica a sensação de calor e aumenta a persistência de temperaturas elevadas.

  • A extensão para “verões mais longos” significa que o outono — ou mesmo partes da primavera — já estão sentindo efeitos típicos do verão em algumas regiões, o que amplia o período de risco. 

Principais impactos potenciais

Um prolongamento do calor intenso pode trazer múltiplos riscos para a saúde, para a economia, para o meio ambiente  que se reforçam mutuamente.

Saúde humana

  • As doenças relacionadas ao calor (exaustão, insolação, falha de órgãos) tornam-se mais comuns com temperaturas persistentes altas. Em especial, grupos vulneráveis — idosos, crianças, pessoas com doenças crônicas, trabalhadores ao ar livre — são mais afetados. 

  • Mesmo à noite, temperaturas altas prolongadas impedem o alívio térmico, o que gera estresse adicional ao corpo.

Agricultura, ecossistemas e biodiversidade

  • Culturas agrícolas podem sofrer com calor prolongado, seca ou irregularidade de chuvas, comprometendo safras e produtividade.

  • Ecossistemas aquáticos e terrestres são afetados por calor contínuo espécies sensíveis podem perder habitat ou enfrentar extinções locais.

  • A combinação de calor prolongado + seca + solo seco + vegetação ressequida aumenta o risco de incêndios florestais e de grandes proporções. 

Economia, infraestrutura e trabalho

  • O calor prolongado reduz a produtividade no trabalho, especialmente em setores que dependem do ar livre (construção, agricultura, serviços externos). Global Climate Risks

  • A demanda por energia para refrigeração aumenta, o que pressiona redes elétricas e pode gerar apagões ou aumento de custos.

  • Infraestruturas  como transporte, pavimentos, sistemas de água podem sofrer mais com expansão térmica, derretimento de superfícies, falhas ligadas ao calor.

  • O turismo, lazer e outras indústrias dependentes de clima estável podem enfrentar perdas ou maior custo.

Justiça climática

  • Os impactos não são uniformes: países, regiões e populações com menos recursos tendem a sofrer mais, tendo menos meios de adaptação. World Meteorological Organization+1

  • Mesmo dentro de países ricos, comunidades de baixa renda, bairros com menos vegetação ou ventilação enfrentam mais risco.


Cenário de atenção

  • Se os verões se prolongarem significativamente ou se tornarem mais intensos, a “janela segura” de temperatura para atividades ao ar livre, agricultura, conforto humano e habitação diminui.

  • Adaptar-se a um “verão que dura mais” exige planejamento  sistemas de alerta de calor, infraestrutura de refrigeração, vegetação urbana, melhorias em habitação, mudança de turno para trabalhadores expostos, etc.

  • Em termos climáticos, é importante que políticas de mitigação (redução de emissões de gases de efeito estufa) avancem, para limitar o aquecimento e, por consequência, limitar o aumento e prolongamento do calor.

Exemplo concreto

Na Europa, por exemplo: 2023 foi um ano de “verão estendido” entre junho e setembro, com setembro registrando a maior temperatura média já vista no continente.  Em consequência, o que tradicionalmente seria o fim da estação quente prolongou-se, estendendo riscos para saúde, setores agrícolas e urbanos.



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