Carlos Silva
Como usar bem o 13º salário
Como usar bem o 13º salário: investir, quitar dívidas, viajar, o que é mais inteligente?
O 13º salário não precisa ser tratado como “dinheiro para gastar tudo”. Na realidade financeira brasileira atual, muitas pessoas o veem como uma oportunidade para organizar as contas, pagar dívidas e preparar o próximo ano com mais segurança. Para maximizar o benefício desse recurso extra, o mais recomendável é adotar um plano estratégico que combine quitação de dívidas, formação de reserva e investimentos e, se houver sobra, um pouco de lazer. Essa abordagem equilibrada oferece mais estabilidade e reduz riscos futuros.
São Paulo — A chegada do 13º salário é sempre um momento decisivo para muitos brasileiros: é um reforço financeiro importante, mas também exige escolhas estratégicas. Segundo especialistas, a melhor forma de usar esse valor extra depende bastante da sua saúde financeira pagar dívidas, investir ou gastar podem ser opções válidas, dependendo do perfil e das prioridades individuais.
A realidade dos brasileiros hoje
Uma pesquisa da Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, mostra que 59% dos brasileiros que vão usar o 13º pretendem quitá-lo para pagar dívidas ou contas básicas, como água, luz e gás.
Mais especificamente, 31% planejam usar para quitar dívidas, enquanto 28% usarão para contas essenciais.
Apenas uma minoria planeja usar tudo para viagens: 23% relataram essa intenção, segundo a mesma pesquisa.
E um percentual menor ainda cerca de 19% pretende guardar integralmente o 13º para emergências ou investimentos.
Segundo outra pesquisa, 53% dos brasileiros pretendem usar o 13º para quitar dívidas.
Esses números mostram que, para muitos, o 13º é visto como uma chance de aliviar o orçamento não apenas para celebrar, mas para limpar pendências.
O que dizem os especialistas: pagar dívidas é prioridade
Para a especialista Cristina Cardoso, da SKG Investimentos, “a parcela do 13º deve ser usada para pagar qualquer dívida que tenha” ou ao menos amortizá-la.
O Procon-SP orienta que, ao receber o 13º, a primeira ação deva ser listar todas as dívidas (cartão, cheque especial, empréstimos, financiamentos) e priorizar o pagamento daquelas com juros mais altos.
Além disso, se possível, recomenda antecipar parcelas de empréstimos ou financiamentos para aproveitar descontos proporcionais de juros.
O Banco Central do Brasil também inclui, em suas dicas para sair do superendividamento, a utilização do 13º para quitar dívidas como uma estratégia central.
Investir com o 13º: vale a pena?
Depende da sua situação:
Se você ainda não tem reserva de emergência, pode usar parte do 13º para montá-la. Segundo consultores financeiros, uma aplicação com liquidez (ou seja, que permite resgate rápido) como Tesouro Selic, CDBs ou LCIs com liquidez diária é ideal para esse propósito.
No entanto, especialistas alertam: antes de investir agressivamente, é importante resolver dívidas com juros altos, já que muitas dívidas (como cartão de crédito) têm taxas superiores ao rendimento de aplicações conservadoras.
Para aplicar, uma sugestão comum é separar pelo menos 10% do valor do 13º para investimentos, caso o orçamento permita, segundo a Valor Investe.
Gastar ou viajar: opção legítima, desde que planejada
Viajar pode ser uma boa alternativa se você já tem as finanças organizadas. Se utilizar o 13º, uma forma inteligente é pagar a viagem à vista, diminuindo ou eliminando a necessidade de parcelar ou endividar-se pelas férias.
Também é importante planejar os gastos de fim de ano (presentes, festas, matrículas escolares etc.) para não comprometer o 13º com compras impulsivas.
Para alguns, gastar parte com lazer ou viagem pode ajudar no bem-estar, mas isso deve vir depois de garantir as prioridades financeiras mais urgentes (dívidas, reserva).
Estratégia recomendada: um mix balanceado
Com base nas orientações e nas estatísticas, uma estratégia equilibrada tende a ser a mais sensata para muitos:
Priorize dívidas: use parte do 13º para pagar ou amortizar dívidas com juros altos, especialmente cartão de crédito ou cheque especial.
Monte ou reforçe a reserva de emergência: se ainda não tiver, destine uma fatia para aplicações líquidas e seguras.
Invista parte: se sobrar uma parcela confortável, investir pode trazer retorno no médio/longo prazo.
Reserve para lazer ou viagem: planeje com antecedência para usar parte do 13º para diversão sem comprometer suas finanças no ano seguinte.
por Carlos Silva



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