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Pedra Bela,12/03/2026

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Regina Papini Steiner

A guerra como negócio: quem ganha e quem perde?


A guerra como negócio: quem ganha e quem perde?

A guerra como negócio: o lucro por trás da destruição

Ao longo da história, governos justificaram guerras em nome da segurança, da soberania ou da defesa de valores nacionais. No entanto, por trás dos discursos oficiais e da retórica patriótica, existe uma realidade incômoda e muitas vezes ignorada: a guerra também é um dos negócios mais lucrativos do planeta.

Relatórios do Stockholm International Peace Research Institute indicam que as maiores empresas de armamentos do mundo movimentam centenas de bilhões de dólares todos os anos. O faturamento das 100 principais companhias do setor ultrapassa a casa de centenas de bilhões, impulsionado por conflitos recentes e pela crescente tensão geopolítica em diversas regiões do planeta.

Em outras palavras: enquanto cidades são bombardeadas e populações inteiras são obrigadas a fugir de suas casas, a indústria da guerra vive um período de prosperidade.

Grande parte desse lucro concentra-se em empresas que fazem parte do chamado complexo industrial-militar, conceito que ganhou notoriedade após o alerta do presidente americano Dwight D. Eisenhower, em 1961. Naquele discurso histórico, Eisenhower advertiu sobre o poder crescente das indústrias de defesa e sua influência sobre decisões políticas e militares.

Décadas depois, seu alerta parece mais atual do que nunca.

Gigantes da indústria bélica, como Lockheed Martin, Boeing, RTX Corporation e Northrop Grumman, dominam o mercado global de armamentos. Essas empresas abastecem governos com caças, mísseis, drones, sistemas de defesa e tecnologias militares de última geração. A cada nova crise internacional, suas ações tendem a subir nas bolsas de valores.

Não se trata de teoria conspiratória. Trata-se de lógica econômica.

Quando conflitos se intensificam, países aumentam seus orçamentos militares, ampliam compras de armas e firmam contratos bilionários. A guerra, nesse contexto, transforma-se em motor de crescimento para determinados setores da economia.

Quem ganha?

Ganham as indústrias de defesa.
Ganham os investidores que lucram com ações dessas empresas.
Ganham governos que exportam armamentos.
Ganham empresas que, após o conflito, participam da reconstrução de cidades destruídas.

Mas a pergunta essencial é outra: quem perde?

Perdem os civis que vivem nas zonas de conflito.
Perdem as famílias que enterram seus mortos.
Perdem as cidades reduzidas a escombros.
Perdem os países que veem suas economias colapsarem.

A guerra, portanto, revela uma contradição brutal do sistema internacional contemporâneo: para alguns poucos, ela representa oportunidade e lucro; para milhões de pessoas, representa sofrimento, deslocamento e morte.

É preciso dizer com todas as letras: enquanto a guerra continuar sendo um negócio tão rentável, a paz dificilmente será apenas uma prioridade moral ou humanitária. Ela também será um obstáculo econômico para interesses poderosos.

E é justamente por isso que discutir a economia da guerra não é apenas uma questão acadêmica ou ideológica. É uma necessidade política, ética e civilizatória.

Porque quando a destruição se transforma em mercado, a humanidade corre o risco de se acostumar com aquilo que jamais deveria ser normal: lucrar com a tragédia.

por Regina Papini Steiner



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