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Pedra Bela,03/02/2026

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Maude Salazar

Quando Eu Não Me Apresso

Entre o sim e o silêncio


Quando Eu Não Me Apresso

Quando Eu Não Me Apresso

Por Maúde Salazar

Entre o sim e o silêncio existe um lugar que não aparece nos mapas.

Não é escolha ainda, mas também já não é recuo.

É esse instante suspenso em que o corpo prende o fôlego
e a alma inclina a cabeça para escutar melhor.

O silêncio ali não é vazio.
É campo fértil.
É o chão respirando antes da semente.
O sim ainda não sabe seu próprio tamanho
e por isso espera.

Há silêncios que protegem.
Silêncios que seguram a mão do medo
e dizem calma, ainda não é hora.
E há sims que só nascem quando o barulho do mundo se cala
o suficiente para que a verdade se ouça sem gritar.

Essa música mora nesse intervalo.
Não empurra, não implora.
Ela chega como quem senta ao lado
e fica.
Como quem entende que algumas respostas
precisam amadurecer no escuro
antes de aprenderem a dizer o próprio nome.

Entre o sim e o silêncio
há um coração em vigília.
Pulsa devagar.
Observa.
E quando decide
não é por pressa
é por inteireza.

Essa canção não pede aplauso.
Ela pede escuta.
Porque às vezes o gesto mais corajoso
não é dizer sim
nem se esconder no silêncio
mas permanecer ali
inteira
até que a verdade fique pronta para caminhar.

Maúde Salazar é soprano lírico, escritora e pesquisadora. Há mais de três décadas, desenvolve trabalhos onde voz, palavra e silêncio se encontram como territórios de escuta, arte e cura. Sua obra transita entre o erudito e o ancestral, unindo música, espiritualidade e psicanálise em experiências poéticas profundas e acessíveis.





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