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Pedra Bela,03/02/2026

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Maude Salazar

A importância da AUTO BENÇÃO

O cuidado que nasce de dentro


A importância da AUTO BENÇÃO
A importância da AUTO BENÇÃO

Por Maúde Salazar

Há um instante na vida em que a gente percebe que passou anos esperando que alguém nos dissesse aquilo que sempre desejamos ouvir: você merece, você é boa, você pode descansar, você não precisa ser tão dura consigo.
Mas esse instante só chega quando o corpo esgota as reservas e a alma, exausta, finalmente se senta no meio do caminho e suspira dizendo eu não posso mais viver sem ternura.

É aí que nasce a auto benção.

Auto benção não é ritual complexo, nem palavra mágica escondida em livros antigos. É o gesto simples e profundo de colocar a própria mão sobre o próprio peito e dizer eu me aceito, eu me acolho, eu me permito existir com mais suavidade.

A gente passa tanto tempo oferecendo cuidado para o mundo que esquece que o coração também precisa beber da mesma água que oferecemos aos outros.
E quando isso falta, nasce o tirano interior: aquela voz áspera, que nos cobra perfeição, que nos diminui, que diz que nunca é suficiente.
A auto benção é o contrário disso. É o antídoto. A respiração que apaga o incêndio. A vela que reacende a esperança.

Quando alguém se abençoa, algo dentro dela volta a se alinhar.
A postura muda.
A respiração expande.
O olhar se suaviza como se reconhecesse no espelho uma velha amiga perdida.

Auto benção é dizer sim para a própria história.
Sim para o próprio corpo.
Sim para o próprio tempo, mesmo quando o tempo não foi gentil.
Sim para as cicatrizes que também são mapas de sobrevivência.

É importante porque devolve poder.
Porque lembra que a gente não precisa mendigar cuidado.
Porque abre o peito como quem abre janelas e deixa a brisa entrar depois de anos respirando ar estagnado.

A auto benção devolve a dignidade que o mundo, às vezes, tenta roubar.
Devolve o enraizamento.
Devolve o pertencimento.
E sobretudo devolve a sensação de ser casa para si mesma, e não trincheira.

Quando você coloca a mão no coração e diz eu me abençoo, o universo inteiro se inclina um pouco. As dores se reorganizam. As memórias param de gritar. E aquela voz dura lá dentro perde força, como um trovão que se afasta ao longe.

Auto benção é o começo de uma vida mais verdadeira.
É o retorno ao próprio nome dito com amor.
É o descanso depois da guerra.
É o abraço que você sempre quis receber e que agora sabe oferecer a si mesma.

E quando você aprende a se abençoar,  até a respiração muda de textura.
Você respira mais largo.
Mais fundo.
Mais vivo.
Porque percebe que existir não precisa ser um campo de batalha.
Pode ser jardim.
Pode ser canto.
Pode ser lar.

A voz de Maude Salazar atravessa palcos, páginas e rituais há mais de três décadas. Soprano lírico, escritora e pesquisadora, ela constrói uma obra em que música, palavra e silêncio se entrelaçam como caminhos de cura. Seus livros e práticas reúnem canto, psicanálise e espiritualidade, tratando a voz como instrumento, linguagem e lugar de transformação.





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