Regina Papini Steiner
Lula e a reconstrução de um país que precisa caber no orçamento do povo
Governo Lula: avanços no emprego, na renda, na saúde e na educação.
Regina Papini Steiner, para o Jornal Iconic
Há governos que pedem para ser julgados por discursos. Eu prefiro olhar para a vida concreta: a possibilidade de encontrar trabalho, comprar comida, obter um medicamento, permanecer na escola e sonhar com uma casa. É por essa medida que considero expressivo o desempenho do terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
O emprego é um ponto de partida. No trimestre encerrado em junho de 2026, a taxa de desocupação chegou a 5,4%, segundo o IBGE. O resultado não significa que todo trabalho ofereça salário justo ou proteção adequada. Significa, porém, que mais brasileiros encontram uma oportunidade de sustento. O PIB cresceu 2,3% em 2025. Para mim, o valor desse crescimento está na capacidade de transformá-lo em melhoria duradoura para quem vive do próprio trabalho.
Também vejo uma escolha política clara na renda. O salário mínimo passou a R$ 1.621 em 2026. A ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais, acompanhada de desconto parcial para rendas de até R$ 7.350, dirige o alívio tributário a milhões de pessoas. São decisões que reconhecem algo elementar: o dinheiro necessário para pagar aluguel, alimentação e transporte faz falta no fim do mês.
Na saúde, a expansão da Farmácia Popular merece destaque. Desde fevereiro de 2025, os 41 itens oferecidos pelo programa são gratuitos, incluindo medicamentos e insumos antes sujeitos a copagamento. O Ministério da Saúde informa que mais de 24 milhões de pessoas foram atendidas pelo programa em 2026 até setembro. Para quem depende de tratamento contínuo, uma política assim representa menos escolhas dolorosas entre cuidar da saúde e atender às demais despesas da casa.
Na educação, o Pé-de-Meia procura enfrentar uma injustiça antiga: jovens que deixam o ensino médio porque precisam trabalhar ou porque o custo de estudar pesa demais na família. O incentivo financeiro é condicionado à trajetória escolar. Segundo o Ministério da Educação, o programa já teve 5,6 milhões de estudantes participantes. Garantir que um adolescente possa concluir os estudos é investir em sua liberdade de escolha no futuro.
A retomada do Minha Casa, Minha Vida recolocou a habitação popular entre as prioridades federais. O programa voltou a contratar empreendimentos subsidiados e a enfrentar obras paralisadas. Ainda há uma distância enorme entre as moradias necessárias e as entregues. Justamente por isso, a política precisa ser cobrada até que a promessa se transforme em chave na mão, infraestrutura e endereço digno.
Há, ainda, uma dimensão do governo que ultrapassa as fronteiras nacionais. O Brasil voltou a tratar a proteção ambiental como responsabilidade de Estado. O Inpe registrou 5.731 km² de desmatamento na Amazônia Legal em 2025, com queda em oito dos nove estados da região em relação ao ano anterior. É um avanço que precisa continuar: nenhum resultado autoriza relaxar a fiscalização ou ignorar a vida dos povos que protegem a floresta.
É nessa combinação de prioridades que reconheço Lula como um grande estadista. Sua trajetória lhe dá a capacidade de falar ao trabalhador, negociar com diferentes setores e recolocar o combate à desigualdade no centro das decisões nacionais. Minha avaliação é favorável porque encontro políticas públicas e resultados que a sustentam, não porque imagine um país sem problemas.
O Brasil ainda convive com desigualdade, moradia insuficiente, serviços públicos pressionados e famílias endividadas. Lula deve responder por essas questões e ser cobrado por soluções. Mas reconhecer o que foi feito também é uma obrigação de quem escreve com honestidade. Quando emprego, renda, saúde, educação, moradia e proteção ambiental avançam, é o povo brasileiro que ganha. E é por ele que um governo deve ser julgado.



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