Regina Papini Steiner
Vovó Vota mobiliza eleitoras idosas e aproxima gerações
Campanha incentiva participação política e combate à abstenção entre pessoas com mais de setenta anos
Por Regina Papini Steiner - Jornal Iconic
BRASÍLIA — A campanha Vovó Vota, do Movimento Voto 70+, propõe aproximar netas e avós durante as eleições e reduzir a abstenção no segundo turno, marcado para domingo (25). A iniciativa é apartidária e destaca o direito de cada pessoa decidir se quer votar e em quem votar.
Uma abstenção que caiu, mas segue alta
A abstenção entre eleitores com mais de 70 anos caiu de 58,8% em 2022 para 49,1% no primeiro turno de 2026, queda de 9,7 pontos percentuais, segundo dados do TSE reunidos pelo Movimento Voto 70+. Ainda assim, o número permanece elevado: cerca de 8,49 milhões de eleitores nessa faixa etária não compareceram às urnas em 4 de outubro. Para essa faixa etária, o voto é facultativo, mas o direito de participar permanece garantido. O TSE esclarece que quem não votou no primeiro turno pode votar no segundo.
Companhia até a seção eleitoral
A campanha reúne, em um guia digital, orientações práticas para organizar o deslocamento até o local de votação, conferir documentos e acompanhar as eleitoras que desejam votar. A proposta é que as netas ajudem as avós nesse percurso. É também uma forma de diálogo entre gerações sobre cidadania.
Barreiras que vão além da vontade
A abstenção não se explica só pela falta de interesse. Para entender o fenômeno, o movimento fez a pesquisa exploratória Retratos do Voto 70+, que identificou três perfis entre os eleitores que disseram que não votariam ou estavam indecisos. Baixa autoestima política e dificuldades de mobilidade aparecem entre os obstáculos. O movimento também aponta limitações de mobilidade, falta de redes de apoio e etarismo como entraves à participação. Siga A Crítica de Campo Grande no
Segundo a Agência Brasil, as pessoas idosas também levam para as urnas a memória da importância do voto, já que passaram mais de duas décadas sem poder escolher o presidente. A reportagem ouviu, por exemplo, a aposentada Suely Mendonça, de 79 anos, que diz ter orgulho de participar das eleições.
Voto e prova de vida do INSS
O movimento lembra que, no segundo turno, o voto pode ser usado como prova de vida automática para aposentados e pensionistas do INSS. A ressalva é que o comparecimento às urnas não é obrigatório para manter o benefício, pois o voto é apenas uma das bases consultadas no procedimento.
O que fica da pauta
A campanha trata as idosas como sujeitos políticos, com direito a decidir por conta própria. Para que isso valha na prática, a decisão precisa ser possível: transporte, acessibilidade e companhia pesam tanto quanto a vontade de votar.
Fontes: Agência Brasil — Movimento Vovó Vota defende consciência cidadã contra abstenção (21/10/2026) · Agência Brasil — Abstenção de eleitores com mais de 70 anos cai 9,7 pontos percentuais (17/10/2026) ·



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