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Pedra Bela,03/02/2026

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O Tarot – O Espelho do Inconsciente


O Tarot – O Espelho do Inconsciente

por Maúde Salazar

O tarot não é um conjunto de cartas sobre o destino.
É um alfabeto da alma.
Cada lâmina reflete o movimento invisível entre o consciente e o inconsciente,
entre aquilo que sabemos e o que ainda não conseguimos nomear.

Os 22 Arcanos Maiores formam uma narrativa simbólica que nos atravessa desde sempre.
Do Louco ao Mundo, o tarot descreve o caminho arquetípico da alma em busca de inteireza.
É o mapa de uma viagem interior onde o herói é o próprio eu, fragmentado, contraditório, mas em constante transformação.

Jung compreendeu o símbolo como uma ponte entre o que é visto e o que pulsa nas profundezas.
O tarot habita exatamente essa ponte.
Ele fala a linguagem dos sonhos: imagens que tocam o corpo e ressoam como memória.
Quando uma carta é tirada, algo dentro de nós se move.
Não porque o futuro foi revelado, mas porque o inconsciente foi ouvido.

A cada leitura verdadeira, o tarot nos devolve o espelho.
O arquétipo que se manifesta não surge de fora: ele apenas ganha voz através da imagem.
E a imagem é viva.
Ela respira, conversa, ilumina e, às vezes, fere.
Porque olhar para dentro é sempre um ato de coragem.

O tarot, quando compreendido como prática de autoconhecimento, se torna uma forma de oração simbólica, um modo de se escutar sem palavras.
Entre o gesto de abrir uma carta e o silêncio que segue, nasce a possibilidade de consciência.
É ali, nesse intervalo, que o oráculo fala.

Os registros históricos situam o nascimento do tarot na Itália do século XV, quando as cartas eram conhecidas como tarocchi e usadas em jogos de trunfos. As figuras alegóricas retratavam virtudes, planetas e passagens humanas, reflexos do pensamento renascentista. Com o passar dos séculos, as imagens foram ganhando leitura simbólica, até que, no século XVIII, ocultistas franceses como Antoine Court de Gébelin e Etteilla atribuíram significados esotéricos às cartas.

Court de Gébelin chegou a afirmar que o tarot seria o remanescente do Livro de Thoth, um texto sagrado do antigo Egito. A hipótese egípcia nunca foi comprovada, mas deixou marcas profundas na tradição esotérica ocidental. Para muitos, o Egito representa o berço da sabedoria oculta, e essa associação deu ao tarot o caráter de mistério ancestral que ainda o cerca.

Pesquisadores contemporâneos tratam essa ligação como mito simbólico. O historiador Michael Dummett observa que “as cartas de tarot foram inventadas na Itália no início do século XV e, por quase quatro séculos, usadas exclusivamente como jogo. Apenas no final do século XVIII foram apropriadas pelos ocultistas e transformadas em ferramenta de adivinhação e autoconhecimento.”

A pesquisadora Helen Sara Farley, em Tarot: An Evolutionary History, complementa: “A simbologia das cartas era comum na arte renascentista e pode ser explicada sem recorrer a correntes esotéricas atuantes na Europa Moderna.”

Ainda assim, mesmo o mito tem sua função. O Egito continua sendo um espelho de arquétipos antigos: o silêncio dos templos, o mistério das iniciações, a sabedoria guardada em imagens. De alguma forma, esse imaginário dialoga com a alma do tarot, que sempre buscou unir o humano e o divino num mesmo gesto simbólico.

O tarot, em sua forma mais profunda, é uma arte de escuta.
Um convite à consciência.
E talvez por isso tenha atravessado séculos sem perder o poder de comover.

Em 2026, essa jornada simbólica se tornará livro: A Voz do Tarot - O Espelho do Inconsciente.
Uma obra que une poesia, psicologia e rito, onde cada arcano ganha corpo, voz e alma.

Maude Salazar
Soprano lírico, escritora e pesquisadora. Doutoranda em Psicanálise e Teologia, desenvolve sua trajetória na confluência entre voz e espiritualidade. Com mais de três décadas de experiência nos palcos e em trabalhos de investigação, sua atuação une o rigor da pesquisa com a sensibilidade artística.


Vivência: A Voz do Tarot – O Espelho do Inconsciente

Antes do livro, a vivência homônima convida à experiência direta com o oráculo.
Um encontro sensorial e simbólico com as cartas, a respiração e a escuta.
Durante 22 meditações, cada arcano se manifesta como voz viva, luz e sombra dançando em presença.

Não se trata de aprender a ler o tarot, mas de ser lido por ele.
De sentir o arquétipo no corpo e permitir que o símbolo fale através da alma.

A Voz do Tarot – O Espelho do Inconsciente
Uma vivência de Maúde Salazar  -  Instituto Omindaré
Mais informações e inscrições: institutoomindare@gmail.com






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