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Pedra Bela,03/02/2026

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Carmem de Lucca

Desastre no Paraná: as causas humanas, os efeitos para o planeta e o futuro que nos aguarda

Foto de Johannes Plenio
Desastre no Paraná: as causas humanas, os efeitos para o planeta e o futuro que nos aguarda

Desastre no Paraná: as causas humanas, os efeitos para o planeta e o futuro que nos aguarda

Minha opinião: um chamado à ação

Não se trata apenas de lamentar uma tragédia mas de reconhecer que há escolhahá responsabilidade, e há futuro. Se continuarmos vendo desastres como “atos da natureza” apenas, abrimos mão de entender que muitas causas estão sob nosso controle.

O Paraná  e o Brasil , precisam adotar uma postura mais proativa:

  • Investimentos em infraestrutura resiliente, monitoramento e alerta precoce. O Estado, por exemplo, anunciou mais de R$ 53 milhões para modernização do sistema de monitoramento de desastres. 

  • Revisão das políticas de ocupação do solo, proteção de encostas e áreas de risco, com participação comunitária e transparência.

  • Responsabilização efetiva de indústrias e atores que provocam vazamentos, poluição ou ocupação irregular — para que o “custo” da negligência não seja sempre pago por pessoas vulneráveis.

  • Reconhecimento de que o modelo de “desenvolvimento” que ignora o meio ambiente, a mudança climática e as comunidades locais está se tornando cada vez mais caro, e muitas vezes inviável.

  • Educação ambiental como vetor de transformação cultural estudos mostram que a educação reduz riscos e prepara comunidades para enfrentar desastres. 

Se o tornado de Rio Bonito do Iguaçu é um sinal, que ele seja interpretado como alarme, não como acaso. É hora de agir para que o próximo desastre não seja ainda pior e, se possível, seja evitado. O planeta não espera: nós somos suas testemunhas e seus guardiões.


Na madrugada de 7 de novembro de 2025, a cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no centro-sul do Paraná, foi devastada por um tornado classificado como de categoria F3, com ventos superiores a 250 km/h.  Seis pessoas perderam a vida, centenas ficaram feridas, centenas de casas foram destruídas e o Estado tomou oficialmente medidas de calamidade pública. 

Esse evento extremo não pode ser visto apenas como “coisa da natureza”  ele é sintoma de um sistema que combina vulnerabilidade social, negligência ambiental e mudanças climáticas. A seguir, exponho porque devemos tratar este tipo de desastre como um alerta planetário  e como o Paraná, representando muitos outros territórios, se encontra no centro desse cruzamento entre causas humanas e efeitos irreversíveis.


As causas

1. Alterações climáticas e fenômenos extremos
Especialistas do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (SIMEPAR) indicam que o tornado decorreu de uma frente fria associada à formação de um ciclone na costa do Sul do Brasil, que gerou supercélulas de tempestades intensas. Esse tipo de padrão atmosférico extremo se torna mais provável  e mais severo em um mundo em aquecimento, com oceanos mais quentes, maior instabilidade atmosférica e atmosfera mais carregada de energia.
2. Uso do solo, ocupação inadequada e fragilidade estrutural
O estado do Paraná tem registrado frequentes desastres naturais: “em 30 anos, somou cerca de 4.300 ocorrências”, afirma reportagem. A combinação de ocupação de encostas, uso desequilibrado do solo, adensamento urbano em áreas de risco e infraestrutura frágil eleva o impacto de eventos climáticos. O relatório “Construindo um Estado resiliente” aponta que “os padrões ambientalmente insustentáveis de uso e ocupação do solo, a expansão dos aglomerados industriais e o aquecimento global explicam” o aumento das catástrofes no Paraná. 
3. Responsabilidade humana direta: poluição, negligência, indústrias e vazamentos
O Paraná acumulou episódios graves de desastre ambiental cujas causas são exclusivamente humanas por exemplo, o vazamento de 4 milhões de litros de petróleo ocorrido em 16 de julho de 2000 na refinaria de Araucária, que contaminou rios e matas. Outro caso: em 2001, um vazamento de mais de 45 000 litros de óleo nas baías de Antonina e Paranaguá levou à responsabilização da estatal Petrobras. Esses eventos formam um pano de fundo: não são apenas desastres “naturais”, mas crises resultantes da combinação entre natureza e ação humana.


Os efeitos

1. Sociais e humanos
O impacto imediato do tornado foi violento: mortes, centenas de feridos e milhares de pessoas deslocadas. A Defesa Civil do Paraná registrou que, no período de fevereiro 2024 a fevereiro 2025, foram 478 ocorrências de desastres em 207 municípios.  Mais de 430 mil pessoas foram afetadas. Essas estatísticas mostram que o risco já não é marginal  ele está presente no dia a dia.
2. Ambientais e ecológicos
Quando uma área sofre ventos extremos, há destruição de cobertura vegetal, erosão, danos a habitats, comprometimento de fauna e flora. Em casos de vazamentos de óleo ou produtos químicos, como os que o Estado já vivenciou, os efeitos podem durar décadas. No desastre de 2000, a mancha negra percorreu cerca de 100 km de rio abaixo e alcançou o bioma da Mata Atlântica. 
3. Econômicos e de infraestrutura
O relatório sobre o desastre de 2011 no litoral aponta que o prejuízo estimado para o Estado saltou de R$ 89 milhões para R$ 210 milhões quando se aplicou a metodologia DaLA (Damage and Loss Assessment).  Em situações como a de agora, a reconstrução requer recursos públicos, realocação de pessoas, vigilância contínua, e isso dificulta a agenda de desenvolvimento.
4. Reflexos para o planeta
Quando regiões como o Paraná se tornam vulneráveis, isso se soma a uma tendência global: mais eventos extremos, danos acumulados, riscos ecológicos crescentes. O que acontece localmente ecoa globalmente. Por exemplo, desmatamento, ocupação irregular, alteração de cursos d’água e infraestrutura precária  são fatores que convergem para tornar o planeta mais frágil.

Referências principais

  • “Meteorologista: Tornado no Paraná é o mais devastador da história recente do Estado” — Infomoney. InfoMoney

  • “Nos últimos 12 meses mais da metade dos municípios registrou algum desastre natural” — Defesa Civil do Paraná. Defesa Civil Paraná

  • “O modelo paranaense para a gestão de riscos de desastres” — CEPED. ceped.pr.gov.br

  • Vazamento no Iguaçu: “maior desastre ambiental do Paraná completa 25 anos”. sindipetroprsc.org.br+1

  • Impacto dos desastres naturais em população do Sul do Brasil e a importância da Educação Ambiental. Portal de Periódicos Científicos



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