Seja bem-vindo
Pedra Bela,24/02/2026

  • A +
  • A -

Maude Salazar

CONFIO NA VIDA

Uma canção que pisa no chão


CONFIO NA VIDA

CONFIO NA VIDA (meu ritmo) Uma canção que pisa no chão

Essa música começa com uma declaração simples e quase revolucionária:
“Vou devagar, sem pedir desculpa.”

Não é apenas uma frase. É um reposicionamento de vida.

Desde o primeiro verso, ela nos retira da lógica da pressa e nos devolve ao corpo. Ao pé que toca o chão. Ao passo que não precisa competir. Ao ritmo que não se explica. A canção não grita independência. Ela respira autonomia.

“O chão me sente quando eu piso.”

Há algo profundamente simbólico aqui. Não é só o corpo que sente o mundo. O mundo também responde quando caminhamos com presença. Quando desaceleramos, deixamos de atravessar a vida como quem foge. Passamos a habitá-la.

Essa música não nega a dor. Ela a escuta.

Há dores que não querem remédio imediato. Querem escuta. Quando o pé dói, muitas vezes não é fraqueza. É aviso. Aviso de pressa demais. De cobrança antiga. De caminhos trilhados sem apoio suficiente.

Por isso cantar “estou segura ao caminhar pela vida” não é negar o medo. É oferecer chão para ele descansar.

A repetição do verso é quase um mantra. Não para anestesiar a realidade, mas para reorganizar o sistema interno. A canção cria um espaço onde o excesso pode virar cuidado. Onde a pausa deixa de ser fracasso e passa a ser inteligência emocional.

“Não preciso ir além do que sou hoje.”

Essa linha confronta uma cultura inteira que nos ensina que nunca é suficiente. A música propõe outra ética. A ética do suficiente. A ética da presença. A ética do ritmo próprio.

Confiar no próprio pulso é um ato de coragem silenciosa. Não há aplauso para quem desacelera. Mas há integridade. Há alinhamento. Há uma reconciliação entre o que se sente e o que se faz.

“Se doeu antes, foi excesso.
Se parou agora, é cuidado.”

Temos aqui maturidade. Reconhecer que o excesso não era força, mas tentativa de corresponder. E que a pausa não é desistência, é proteção.

Essa música não empurra. Ela acompanha.
Não cobra. Sustenta.
Não exige performance. Oferece presença.

No final, o que permanece é quase um sussurro existencial:

“Estou inteira.
Estou aqui.”

E talvez seja isso que ela nos devolve. Não uma resposta pronta, não uma solução mágica. Mas a experiência concreta de pisar no chão com verdade.

Devagar.
Sem pedir desculpa.





COMENTÁRIOS

LEIA TAMBÉM

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.