Maude Salazar
CONFIO NA VIDA
Uma canção que pisa no chão
CONFIO NA VIDA (meu ritmo) Uma canção que pisa no chão
Essa música começa com uma declaração simples e quase revolucionária:
“Vou devagar, sem pedir desculpa.”
Não é apenas uma frase. É um reposicionamento de vida.
Desde o primeiro verso, ela nos retira da lógica da pressa e nos devolve ao corpo. Ao pé que toca o chão. Ao passo que não precisa competir. Ao ritmo que não se explica. A canção não grita independência. Ela respira autonomia.
“O chão me sente quando eu piso.”
Há algo profundamente simbólico aqui. Não é só o corpo que sente o mundo. O mundo também responde quando caminhamos com presença. Quando desaceleramos, deixamos de atravessar a vida como quem foge. Passamos a habitá-la.
Essa música não nega a dor. Ela a escuta.
Há dores que não querem remédio imediato. Querem escuta. Quando o pé dói, muitas vezes não é fraqueza. É aviso. Aviso de pressa demais. De cobrança antiga. De caminhos trilhados sem apoio suficiente.
Por isso cantar “estou segura ao caminhar pela vida” não é negar o medo. É oferecer chão para ele descansar.
A repetição do verso é quase um mantra. Não para anestesiar a realidade, mas para reorganizar o sistema interno. A canção cria um espaço onde o excesso pode virar cuidado. Onde a pausa deixa de ser fracasso e passa a ser inteligência emocional.
“Não preciso ir além do que sou hoje.”
Essa linha confronta uma cultura inteira que nos ensina que nunca é suficiente. A música propõe outra ética. A ética do suficiente. A ética da presença. A ética do ritmo próprio.
Confiar no próprio pulso é um ato de coragem silenciosa. Não há aplauso para quem desacelera. Mas há integridade. Há alinhamento. Há uma reconciliação entre o que se sente e o que se faz.
“Se doeu antes, foi excesso.
Se parou agora, é cuidado.”
Temos aqui maturidade. Reconhecer que o excesso não era força, mas tentativa de corresponder. E que a pausa não é desistência, é proteção.
Essa música não empurra. Ela acompanha.
Não cobra. Sustenta.
Não exige performance. Oferece presença.
No final, o que permanece é quase um sussurro existencial:
“Estou inteira.
Estou aqui.”
E talvez seja isso que ela nos devolve. Não uma resposta pronta, não uma solução mágica. Mas a experiência concreta de pisar no chão com verdade.
Devagar.
Sem pedir desculpa.



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