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Pedra Bela,01/09/2026

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Olívia Vieira

Água e saúde animal: hidratação adequada protege rins, intestino e controle da temperatura


Água e saúde animal: hidratação adequada protege rins, intestino e controle da temperatura

Água e saúde animal: hidratação adequada protege rins, intestino e controle da temperatura

Disponibilizar água fresca em quantidade suficiente é um cuidado essencial com cães e gatos; fontes, alimentos úmidos e vários recipientes podem estimular o consumo

por Olivia Vieira - Jornal Iconic

A água é um dos elementos mais importantes para a saúde animal. Ela participa da regulação da temperatura corporal, da digestão, da circulação sanguínea, da eliminação de resíduos pelos rins e do funcionamento de praticamente todos os órgãos.

Mesmo uma desidratação moderada pode comprometer o bem-estar de cães e gatos. O risco aumenta nos dias quentes, durante atividades físicas ou diante de episódios de vômito, diarreia e febre. Filhotes, animais idosos e aqueles com doenças renais, urinárias, cardíacas ou diabetes exigem atenção especial.

A recomendação geral é manter água limpa e fresca disponível durante todo o dia. O acesso não deve ser restringido sem orientação veterinária, inclusive quando o animal estiver urinando mais ou apresentar incontinência. A mudança pode estar relacionada a uma doença que precisa ser investigada.

Quanto um animal precisa beber?

A quantidade varia de acordo com peso, alimentação, temperatura, nível de atividade, idade e condição de saúde. O Manual Veterinário Merck informa que, em ambiente com temperatura confortável, muitos mamíferos necessitam de aproximadamente 44 a 66 mililitros de líquidos por quilo de peso corporal por dia.

Assim, um cão de 10 quilos pode ter uma necessidade total aproximada de 440 a 660 mililitros diários. Esse volume não representa somente o que deve aparecer no bebedouro: também inclui a água contida nos alimentos.

Rações secas apresentam geralmente entre 3% e 11% de umidade, enquanto alimentos enlatados ou úmidos podem conter de 60% a mais de 87%. Por isso, animais alimentados principalmente com comida úmida costumam beber menos diretamente no recipiente.

Os valores são apenas referências. Não se deve obrigar o animal a consumir uma quantidade exata nem oferecer água com seringa sem orientação, pois existe risco de engasgo e aspiração.

Gatos precisam de atenção especial

Os ancestrais dos gatos domésticos obtinham parte considerável da hidratação por meio das presas. Por isso, alguns gatos apresentam pouca motivação para procurar água, sobretudo quando recebem apenas ração seca.

Uma ingestão insuficiente pode contribuir para urina mais concentrada. Nos animais predispostos, a hidratação adequada faz parte dos cuidados relacionados à saúde urinária e renal, mas não substitui o diagnóstico ou o tratamento veterinário.

O Centro de Saúde Felina da Universidade Cornell recomenda oferecer água fresca em locais de fácil acesso. Em casas com vários animais, é importante observar se algum gato está impedindo outro de chegar ao recipiente.

Opções para estimular o consumo de água

Cada animal tem preferências próprias. Algumas estratégias podem ser testadas com segurança:

  • Distribuir vários recipientes pela casa, especialmente em locais tranquilos, ventilados e de fácil acesso.
  • Manter a água afastada da caixa de areia e de produtos de limpeza.
  • Testar potes de vidro, cerâmica ou aço inoxidável. Alguns animais não gostam do cheiro do plástico ou de encostar os bigodes em recipientes estreitos.
  • Usar potes largos e com profundidade confortável.
  • Trocar a água pelo menos uma ou duas vezes ao dia e sempre que estiver suja.
  • Utilizar fontes próprias para animais. Muitos gatos se interessam pela água em movimento, embora nem todos apresentem essa preferência.
  • Higienizar potes, filtros e fontes com frequência. A Associação Americana de Medicina Veterinária orienta lavar os recipientes com água quente e sabão.
  • Oferecer alimentação úmida completa e apropriada para a espécie.
  • Acrescentar pequena quantidade de água à comida, desde que o animal aceite a mudança e o alimento não permaneça exposto por muito tempo.
  • Levar água e recipiente portátil durante caminhadas, viagens e passeios.
  • Colocar alguns cubos de gelo no pote em dias quentes, caso o animal demonstre interesse e consiga utilizá-los com segurança.

A fonte deve ser desmontada e limpa de acordo com as instruções do fabricante. Água em circulação também pode acumular saliva, pelos e microrganismos quando o equipamento não recebe manutenção.

É possível dar sabor à água?

Em alguns casos, uma pequena quantidade de água de atum conservado somente em água ou de caldo preparado sem sal pode estimular o gato a beber. Entretanto, esse recurso deve ser ocasional e discutido com o veterinário quando o animal possui doença renal, cardíaca, urinária ou outra restrição alimentar.

Caldo industrializado não é uma boa escolha. Ele pode conter excesso de sódio, gordura, temperos, cebola ou alho. Cebola, alho, alho-poró e cebolinha são tóxicos para cães e gatos.

Água de coco, bebidas esportivas, isotônicos humanos, leite, refrigerantes e sucos não substituem a água. Soluções com eletrólitos e fluidoterapia oral, subcutânea ou intravenosa devem ser utilizadas somente por indicação veterinária.

Água filtrada, mineral ou da torneira?

Quando a água da torneira é potável e segura para o consumo humano, geralmente pode ser oferecida aos animais. Se houver cheiro forte, alterações de cor, contaminação local ou recomendação das autoridades para não beber, a mesma precaução deve ser aplicada aos pets.

A água filtrada pode ser uma alternativa quando o animal rejeita o gosto ou o odor da água da rede. A água mineral também pode ser usada, mas não é obrigatória para animais saudáveis. Pets com doenças específicas podem precisar de recomendações individualizadas sobre minerais e alimentação.

O mais importante é que a água seja própria para consumo, fresca e armazenada em recipiente limpo.

Poças, lagos e piscinas oferecem riscos

Durante os passeios, os tutores não devem permitir que os cães bebam água de poças, córregos, lagos ou recipientes abandonados. Essas fontes podem conter urina de animais, parasitas, produtos químicos, bactérias ou cianobactérias.

As chamadas florações de algas nocivas podem liberar toxinas capazes de adoecer ou matar animais em poucas horas. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, cães e animais de criação devem permanecer afastados de águas com espuma, coloração estranha, mau cheiro ou aparência de tinta.

Se o animal entrar em água suspeita, deve ser enxaguado imediatamente com água limpa, sem que possa lamber o próprio pelo. Qualquer mal-estar exige atendimento veterinário urgente.

A água de piscina também não deve ser utilizada como fonte de hidratação. Pequenas quantidades ingeridas acidentalmente podem não causar problemas em todos os animais, mas o cloro, outros produtos e o excesso de água engolida podem provocar alterações gastrointestinais.

Sinais de possível desidratação

Os sinais podem incluir:

  • Gengivas secas ou pegajosas;
  • Saliva espessa;
  • Fraqueza ou apatia;
  • Olhos com aparência mais funda;
  • Redução da urina;
  • Falta de apetite;
  • Respiração ofegante;
  • Perda de elasticidade da pele;
  • Vômito ou diarreia.

O teste de puxar suavemente a pele pode oferecer uma pista, mas não confirma nem descarta a desidratação. Em animais idosos, obesos ou muito magros, a elasticidade da pele pode ser naturalmente diferente.

Vômitos persistentes, diarreia intensa, incapacidade de beber, fraqueza, desorientação, dificuldade respiratória ou exposição ao calor são motivos para atendimento veterinário imediato.

Beber água demais também é um alerta

O aumento repentino da sede não deve ser ignorado. Consumo excessivo, acompanhado ou não de maior volume de urina, pode estar relacionado a diabetes, doença renal, alterações hormonais, infecções, medicamentos e outros problemas.

O tutor pode medir durante dois ou três dias quanto coloca no recipiente e quanto resta ao final de 24 horas. Em casas com mais de um animal, essa observação é mais difícil. Os registros devem ser levados ao veterinário, sem restringir o acesso à água.

Garantir hidratação não exige soluções caras. Recipientes limpos, água renovada, pontos de acesso bem distribuídos e atenção às preferências individuais já representam uma importante forma de prevenção. A água é um cuidado cotidiano, mas qualquer mudança significativa na sede ou na urina merece avaliação profissional.



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