Monica Vernechi
Perspectivas gerais de investimento para 2026
Diversos relatórios apontam que 2026 será um ano de oportunidades moderadas para investimentos, com destaque para ativos reais (incluindo imobiliário) como meio de diversificação e proteção contra inflação. Por exemplo, o relatório da J.P. Morgan Chase & Co. mostra que o retorno esperado para “core real estate” nos EUA é cerca de 8,0 % em 2026, comparado a 8,1 % em 2025.
Outro relatório da Deloitte Touche Tohmatsu Limited (abreviado Deloitte) indica que quase 75 % dos entrevistados pretendem aumentar investimentos em imóveis nos próximos 12-18 meses, apontando o setor como alternativa para diversificação e “hedge” contra inflação.
Também, o setor de real-estate mundial está projetado para continuar crescendo: estima-se que o mercado global de imóveis atinja cerca de US$ 12,629 bilhões em 2026, segundo a empresa de pesquisa Global Growth Insights.
Assim, o cenário geral é de crescimento, porém com menos “explosão” de valorização do que nos picos anteriores ou seja, mais estabilidade e menos expectativas de ganhos extraordinários.
O mercado imobiliário em 2026, fatores de impulso
Demanda e escassez
No Brasil, por exemplo, o mercado mostra crescimento: segundo o site The LatinInvestor, em 2025 o preço médio de imóveis residenciais em São Paulo estava em torno de R$10.000/m², com crescimento de cerca de 6,11% ao ano. A previsão para os próximos 12 meses é de crescimento de 3-7%.
Em relatório mais amplo, o mercado imobiliário residencial brasileiro tem valor projetado de US$ 7,15 trilhões em 2025, com crescimento anual modesto (CAGR ~1,21% entre 2025-2029) segundo o portal Statista.
Setores em destaque
Alguns segmentos imobiliários despontam como mais promissores em 2026:
Imóveis residenciais em localização privilegiada ou em cidades secundárias com bom crescimento demográfico. Exemplo no Brasil: cidades costeiras ou de “segunda linha” apresentando crescimento de 17-21% ao ano.
Modelos alternativos como “build-to-rent”, co-living ou habitação mais acessível, diante da crise de acessibilidade à moradia.
Segmentos logísticos, industriais ou data centers associados ao crescimento de e-commerce e infraestrutura digital apesar de não serem “imóveis residenciais”, fazem parte da categoria de “real estate” mais ampla.
Proteção contra inflação e diversificação
Investidores enxergam o imóvel como um ativo que pode servir de proteção contra inflação e volatilidade dos mercados financeiros. Deloitte aponta este “hedge” como uma das razões para o interesse renovado no setor imobiliário.
Principais riscos a considerar
Taxas de juros elevadas: Imóveis normalmente dependem de financiamento ou crédito para compradores finais. Taxas mais altas pressionam a acessibilidade e podem frear demanda.
Valorização moderada: Apesar de crescimento, as estimativas não sugerem saltos exponenciais em 2026; por exemplo, em relatório da Oxford Economics, afirmam que “by 2026… o número de oportunidades de retornos excessivos diminuirá, mas mercados de retorno neutro se ampliarão”.
Localização e segmento importam muito: Os melhores retornos tendem a vir de mercados específicos, de imóveis bem localizados ou segmentos nicho. Não basta investir genericamente.
Mudanças de padrão: Modelos de trabalho híbrido, mudanças de preferência por moradia, custos de manutenção, regulação e sustentabilidade são “headwinds” ao imóvel tradicional.
Vale a pena investir em imóveis em 2026?
Minha opinião (com base nos dados): sim, mas com ressalvas.
Se você está buscando imóveis como investimento, aqui estão considerações práticas:
Quando faz sentido investir:
Se você pode escolher bem o segmento: moradia em cidade ou bairro que cresce, imóveis de qualidade, com boa localização, boa liquidez.
Se você está preparado para médio/longo prazo (5-10 anos), não para ganhos rápidos em 1-2 anos.
Se você entende o mercado local e os custos (impostos, manutenção, taxas, vacância).
Se o objetivo for renda (aluguel) ou preservação de capital mais do que expectativa de valorização rápida.
Quando exige cautela ou pode não fazer sentido:
Se você está usando alavancagem pesada e esperando valorização agressiva em curto prazo isso é arriscado.
Se o imóvel estiver em local remoto, ou segmento saturado ou sem demanda clara de aluguel/venda.
Se as taxas de juros subirem ainda mais ou houver deterioração econômica local que afete demanda.
Para o Brasil em particular, há oportunidades de rendimento entre 8-12% para imóveis bem escolhidos em 2026, segundo análise de investimentos para o país.
Portanto: imóvel vale a pena, mas é necessário fazer bem o dever de casa escolher, esperar, diversificar, não apostar somente em “imóvel para valorização rápida”.
Em resumo: 2026 será um ano de oportunidades no setor imobiliário, particularmente para aqueles que fizerem escolhas inteligentes segmento correto, localização forte, horizonte adequado, atenção aos custos e riscos. O imóvel deixa de ser “o investimento que sempre sobe muito rápido” e passa a ser um dos pilares de diversificação e preservação de patrimônio, em meio a taxas mais altas e expectativas moderadas.



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