Monica Vernechi
O que esperar da economia mundial até o final de 2025: previsões e riscos
Até o fim de 2025, a economia global caminha para um período de crescimento modesto, inflação em declínio gradual, mas sem folga ampla. Políticas monetárias continuarão cautelosas, e muitos países terão que lidar com restrições fiscais e choques inesperados. O grande desafio será evitar que a desaceleração se transforme em estagnação prolongada, especialmente para os mais vulneráveis.
À medida que nos aproximamos do encerramento do ano, as projeções sobre a economia global indicam uma desaceleração moderada — não uma crise repentina, mas vários desafios se somando, pressionando crescimento, inflação, comércio e políticas monetárias. Abaixo, um panorama jornalístico-informativo baseado em estimativas recentes de organismos como o Banco Mundial, FMI, OECD, entre outros.
Projeções de crescimento
O Banco Mundial projeta que o crescimento global ficará em cerca de 2,3% em 2025, o menor ritmo desde 2008, excluindo recessões globais.
A OECD estima que o PIB mundial crescerá cerca de 2,9% em 2025, abaixo dos ~3,3% observados em anos anteriores, refletindo o impacto de tarifas, incertezas políticas e condições financeiras mais apertadas.
A PwC prevê um crescimento global próximo de 2,6% em 2025, com desaceleração nos maiores países os EUA esfriando, China recuando moderadamente, enquanto economias emergentes enfrentam riscos elevado.
Inflação e política monetária
A inflação global está prevista para cair gradualmente. O FMI estima que o índice geral de inflação cairá de ~4,0% em 2024 para cerca de 3,6% em 2025.
Nos países avançados, a inflação deve convergir para metas de bancos centrais ao longo de 2025 e 2026, embora persistam pressões de preços em setores específicos, especialmente serviços e insumos importados.
Em resposta, espera-se que bancos centrais mantenham taxas de juros elevadas por mais tempo, mas que comecem a flexibilizar (ou cortar) essas taxas se sinais de fraqueza econômica se tornarem mais evidentes. Especificamente, fora dos EUA, há previsões de cortes moderados de juros.
Riscos e pontos de atenção
Tensões comerciais e tarifas
Mudanças nas políticas de comércio internacional, imposição de tarifas, retaliações e incertezas regulatórias afetam confiança de empresas e fluxo de comércio global.Desaceleração de grandes economias
Estados Unidos e China mostram sinais de abrandamento, que reverberam internacionalmente. A demanda global, exportações e investimento estrangeiro podem sofrer.Endividamento e vulnerabilidade fiscal
Muitos países emergentes continuam com altos níveis de dívida, o que limita a margem para estímulos ou amortecimento de choques externos.Choques externos
Preços de energia, alimentos, crises climáticas ou políticas (ex.: conflitos geopolíticos) podem gerar aumentos inesperados de inflação, ou desestabilização em cadeias de suprimento
Perspectiva para diferentes regiões
Estados Unidos: crescimento mais lento, inflação persistente em alguns setores, juros elevados por mais tempo.
Zona do Euro: crescimento frágil, inflação em queda mas ainda acima ou perto da meta em muitos países; recuperação lenta.
China: desaceleração moderada, estímulos fiscais e exportações como alavancas, mas vulnerabilidades estruturais permanecem
Países emergentes e em desenvolvimento: crescimento mais robusto que nos países desenvolvidos em média, mas com taxas de inflação ainda altas, maior exposição a choques externos, além de restrições financeiras.



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