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Pedra Bela,03/02/2026

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Regina Papini Steiner

Natal entre a fé e o consumo: o que revela a enquete do Jornal Iconic

Foto de cottonbro studio
Natal entre a fé e o consumo: o que revela a enquete do Jornal Iconic

Natal entre a fé e o consumo: o que revela a enquete do Jornal Iconic

O Natal, historicamente, nasce de um marco religioso: o nascimento de Jesus Cristo, símbolo de esperança, renovação e amor ao próximo para milhões de cristãos ao redor do mundo. Ao longo dos séculos, essa data foi também incorporando valores culturais, familiares e sociais que ultrapassam a religião, tornando-se um período de encontros, reconciliações e reflexão sobre a vida. No entanto, a enquete realizada pelo Jornal Iconic lança luz sobre uma realidade cada vez mais evidente: para a maioria dos nossos leitores e leitoras, o Natal é visto acima, de tudo como uma data de presentes e consumo.

O resultado não surpreende, mas provoca. Ele reflete uma sociedade atravessada pela lógica do mercado, onde o calendário comercial redefine significados e emoções. O que antes era simbolizado pelo nascimento, pelo silêncio e pela partilha, é frequentemente traduzido em vitrines iluminadas, campanhas publicitárias agressivas e na pressão social por comprar, presentear e consumir mesmo quando isso significa endividamento ou frustração.

A religião, nesse contexto, parece perder espaço não apenas no discurso público, mas também na vivência cotidiana do Natal. Isso não significa, necessariamente, um afastamento da fé, mas revela como os rituais religiosos foram, em muitos casos, esvaziados ou substituídos por práticas de mercado. O presépio cede lugar à árvore repleta de embalagens; o momento de oração é trocado pela correria das compras; o sentido do “dar” se transforma em obrigação material, e não em gesto simbólico ou solidário.

Por outro lado, o dado da enquete também pode ser lido como um retrato honesto do nosso tempo. Vivemos em uma sociedade cansada, pressionada economicamente, onde o consumo aparece, muitas vezes, como uma forma de compensação emocional. O Capitalismo acima de tudo. O Natal-consumo não é apenas uma escolha individual, mas o resultado de um sistema que associa felicidade à compra e pertencimento à capacidade de consumir.

A reflexão que se impõe, portanto, não é moralista, mas crítica. Se o Natal foi reduzido a uma data de consumo, o que isso diz sobre nossas prioridades coletivas? Onde fica o espaço para a espiritualidade humana? Onde cabem a empatia, o cuidado, a escuta e a solidariedade  valores que, em sua origem, é o coração de qualquer celebração?

A enquete do Jornal Iconic não encerra o debate; ao contrário, ela o inaugura. Ao revelar que o Natal é majoritariamente percebido como um evento comercial, somos convidados a repensar nossos próprios gestos, expectativas e escolhas. Talvez o maior presente não esteja nas vitrines, mas na possibilidade de resgatar sentidos: menos consumo, mais presença; menos obrigação, mais afeto; menos ruído, mais reflexão.

por Regina Papini Steiner


As festas de Natal, como as conhecemos hoje, não foram “inventadas” por uma única pessoa, mas construídas ao longo de séculos, a partir da união de tradições religiosas, pagãs e culturais. Eis um panorama histórico claro e jornalístico:

Origem religiosa

O Natal cristão celebra o nascimento de Jesus Cristo, mas a Bíblia não informa a data exata desse nascimento.
Foi apenas no século IV, durante o Império Romano, que a Igreja definiu oficialmente o dia 25 de dezembro como data da celebração.

Por quê 25 de dezembro?
Porque coincidia com festas populares já existentes, especialmente:

  • o Sol Invictus (culto ao Sol)

  • as Saturnálias, festas romanas marcadas por troca de presentes, banquetes e suspensão temporária das hierarquias sociais

Ao escolher essa data, a Igreja buscou cristianizar festividades já consolidadas, facilitando a adesão dos povos convertidos.

Influências pagãs

Muitos símbolos natalinos têm origem pré-cristã, ligada aos ciclos da natureza:

  • Árvore de Natal: símbolos germânicos de vida e renovação no inverno

  • Velas e luzes: celebração do retorno da luz após o solstício de inverno

  • Troca de presentes: prática comum nas Saturnálias romanas

Esses elementos foram incorporados ao Natal cristão ao longo do tempo.

Consolidação moderna

O Natal como festa familiar e comercial se fortaleceu entre os séculos XIX e XX, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos:

  • A figura moderna do Papai Noel foi popularizada no século XIX, inspirada em São Nicolau, bispo conhecido por atos de caridade

  • A publicidade e o comércio, especialmente no século XX, transformaram o Natal em um grande evento econômico

Em síntese

O Natal não foi “inventado”, mas construído historicamente:

  • A religião deu o significado espiritual

  • As culturas pagãs forneceram rituais e símbolos

  • A sociedade moderna agregou o consumo e o espetáculo

Hoje, o Natal é um reflexo direto das disputas entre fé, tradição cultural e mercado  uma celebração que diz tanto sobre sua origem religiosa quanto sobre o tempo em que vivemos.



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