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Pedra Bela,03/02/2026

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Porque cortam a cultura

quando a arte incomoda, o poder tenta calar

Porque cortam a cultura

quando a arte incomoda, o poder tenta calar

Há uma verdade que muitos fingem não ver, mas que todo artista sente no corpo. Cultura assusta quem governa com mentira. Arte é perigosa para quem vive de manipular, esconder, distorcer. Porque a arte não obedece. Ela ilumina. Ela revela.

Cortar dinheiro da cultura nunca é apenas uma decisão econômica. É um projeto político. Quem tem medo de um povo pensante, sensível, crítico e criativo não investe em arte. Porque sabe que a arte desperta. E gente desperta não aceita ser governada por corruptos, oportunistas e autoritários.

Os políticos que desmontam a cultura sabem exatamente o que estão fazendo. Primeiro, silenciam os criadores. Depois, esvaziam os palcos. Sem palco, não há voz. Sem voz, não há crítica. Sem crítica, o sistema podre respira aliviado. Por isso atacam o setor cultural antes de atacar qualquer outro. Porque a arte denuncia até quando fala de amor.

E repare a estratégia. Em vez de fortalecer a cultura do próprio estado, preferiram cortar. Em vez de investir, secaram. E quando chegou a verba federal emergencial, criada para salvar vidas e não para substituir orçamento, eles sorriram. Usaram o socorro como muleta e chamaram de gestão. Um alívio temporário que virou dependência. Porque para eles era conveniente que a cultura não tivesse raiz. Raiz dá força. E político que teme a arte não quer uma árvore frondosa, quer vaso frágil em janela estreita.

Quando o Congresso cortou cerca de 84 por cento da verba federal, o que veio à tona não foi só a crise. Foi a revelação de uma estrutura construída para manter a cultura sempre ajoelhada. Porque se a cultura fosse forte, contínua e independente, seria impossível controlá-la.

Eles sabem que artistas não se vendem por silêncio. Sabem que quando um poeta recita, um povo acorda. Sabem que um espetáculo pode derrubar mentiras mais rápido do que uma CPI. Sabem que teatro, música, dança, literatura, cinema e circo são formas de alfabetizar a alma. E alma alfabetizada não vota em quem quer o povo mudo.

A arte é perigosa porque ensina as pessoas a imaginar nova realidade. E nada ameaça mais um corrupto do que um povo capaz de imaginar o mundo sem ele.

Não cortam cultura para economizar. Cortam para controlar.

Porque onde há tambor, há coragem.
Onde há palco, há pensamento.
Onde há livro, há memória.
Onde há dança, há corpo livre.
E corpo livre é ingovernável pelos que só sabem mandar.

Não se trata apenas de números. É uma disputa espiritual, ética e simbólica. Os artistas são guardiões da consciência. O poder sabe disso. Por isso tenta asfixiar o oxigênio da criação. Cortar cultura é cortar a língua do futuro.

Mas o que eles esquecem é que a arte sempre encontra fresta. Quando tiram o palco, ela vai para a praça. Quando tiram a praça, ela vai para a rua. Quando tiram a rua, ela nasce na voz de uma criança. Arte não desaparece. Ela se multiplica.

Eles podem cortar verbas. Mas não sabem que arte é plantação de tempestade. Quanto mais tentam calar, mais trovões ela prepara.

O que está em jogo não é só orçamento. É a tentativa de impedir que o Brasil pense, sinta e se reconheça. A cultura não pede licença ao poder. Ela é o poder mais antigo da humanidade. O que políticos corruptos temem não é artista. É o povo acordado que nasce quando a arte respira.

E esse povo está voltando a respirar.




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