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Pedra Bela,03/02/2026

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o que levamos na mala de 2026

Se olharmos
bem no espelho agora, no crepúsculo de dezembro, dificilmente reconheceremos a
pessoa que éramos em janeiro. Onze meses não são apenas tempo corrido; são uma
travessia. E a verdade é que 2025 não nos pediu licença para nos mudar; ele
simplesmente nos transformou, muitas vezes sem anestesia.

Foi um ano
de batalhas silenciosas. Para muitos, a maior luta não foi por carreira, mas
pela própria integridade, física e emocional. Falamos pouco sobre saúde e
recuperação nas festas, mas deveríamos. O corpo guarda a memória dos dias
difíceis, dos diagnósticos que assustaram, do pós-operatório lento, das dores
que exigiram paciência. Chegar a dezembro "inteiro", ou ao menos em
processo de cura, é o maior troféu que poderíamos erguer. A saúde, aprendemos
na marra, é o alicerce invisível de todos os sonhos.

E, no
entanto, enquanto celebramos a vida que pulsa, precisamos encarar os espaços
vazios.

O fim do ano
traz a presença ensurdecedora da cadeira vazia na mesa de jantar. Aquele lugar
que tinha dono, risada e cheiro, e que agora é ocupado apenas pela saudade de
quem partiu para nunca mais voltar.

2025 também
foi o ano em que alguns corações se partiram. Vimos amores que juravam
eternidade em janeiro se desfazerem antes do natal. Enfrentamos a dor crua de
ver quem amávamos se tornar um estranho, a decepção de promessas não cumpridas
e planos a dois que tiveram que ser arquivados. Olhar para trás e ver
que investimos afeto onde não houve retorno é um luto particular, que vivemos
sem velório, apenas com o silêncio do celular e o peso da expectativa
frustrada.

Mas agora,
nesse último dia do ano, o cenário muda. A dor da reflexão cede lugar à
necessidade de ação. É hora de fechar o zíper da mala.

Não a mala
de férias, mas a mala da vida. Estamos ali, dobrando com cuidado as lições que
aprendemos e, principalmente, escolhendo o que não levar. As mágoas da
rejeição? Ficam em 2025. A culpa pelo que não deu certo? Fica na gaveta velha.
Aquele amor que machucou? Não pagará excesso de bagagem em 2026.

Na mala para
o ano novo, só cabe o essencial: a gratidão pela cura do corpo que sobreviveu,
a memória carinhosa de quem se foi, e a resiliência de quem, mesmo
decepcionado, insiste em acreditar que merece ser feliz.



















Arrumamos a
casa e a alma nestes últimos dias porque sabemos que a viagem continua. O avião
de 2026 está na pista. As malas estão prontas, mais leves do que antes, livres
das ilusões que pesavam. Respire fundo, agradeça a recuperação e aperte os
cintos. A decolagem para o recomeço é inevitável.




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